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[ST] Música Independente e sua Fórmula Mágica – Carbona de Volta

Fala Galera,
Já são 20 anos de uma noite no bar reclamando que as bandas que estavam tentando não davam certo, muita história para contar e muita poeira nessa estrada.  Essa semana o Spheratons entrevista…
A banda carioca Carbona com 10 discos lançados, duas coletâneas de raridades, 5 turnês nacionais e passagens por Estados Unidos e Canadá está voltando com o disco de estréia da Morcego Records.  O EP será lançado em vinil e plataformas de streaming no dia 15/Setembro, mas seu primeiro single Fórmula Mágica está sendo lançado hoje .  Forte representante da cena independente nesses 20 anos, a banda conta com Henrique Badke (Guitarra/Voz), Melvin (Baixo), Pedro (Bateria) e Bjorn Hovland (Guitarra).  Conversamos com o Henrique na entrevista abaixo sobre a carreira, o lançamento, a banda e a gravadora na entrevista a seguir e tudo que eu posso dizer é escutem pulando e leiam com atenção por que temos grandes dicas de lançamentos para incluir na playlist de cada um…
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SG: Oi Henrique, em primeiro lugar eu quero agradecer pela oportunidade de conversar conosco do Spherageek nesse lançamento.  Também  dar os parabéns pelas comemorações dos 20 anos da banda. Vocês parecem estar se divertindo muito com a data, mas tenho certeza que todos os fãs estão apreciando o acesso a todo esse material e história.  Como vocês estão encarando essa retomada?
HB: Eu que agradeço o espaço e o interesse pelo trabalho do CARBONA. O ano tem sido até aqui bem especial. Tínhamos planejado no início de 2017 algumas atividades para comemorar nossos 20 anos de estrada e o resultado foi bem bacana. Lançamos duas coletâneas de raridades e lados B, a Rock n Roll High Skull Vol.1 e Vol2, sendo uma da fase inicial dos discos gravados em inglês e o volume 2 com músicas da fase em português, conseguimos finalmente disponibilizar toda a discografia da banda nos serviços digitais, “abrimos o bau” de fotos que contam um pouco da nossa trajetória e , por fim, estamos agora lançando o Fórmula Mágica, EP com 6 músicas disponibilizado em vinil e digital.
SG: O material disponível foi ótimo.  Eu tenho parte deles em CD e foi ótimo poder ouvir de novo, de maneira fácil e com boa qualidade, todo o material.  As coletâneas também apresentam ótima qualidade de som, o que nem sempre é o caso nessas raridades e em especial Demos.  Tenho ouvido o vol. 2 nos últimos dias e continua muito divertido.
Fiquei muito intrigado com a escolha das mídias para o lançamento.  O Vinil está por um preço bem legal, mas nem todo mundo tem onde ouví-lo.  Vocês chegaram a considerar o CD também para esse lançamento?
HB: Os lançamentos deste ano ficaram a cargo da Morcego Records, que é o selo que montei no início do ano e conversando com o resto dos integrantes do CARBONA chegamos juntos neste desenho. Desde o início decidimos que o Rock N Roll High Skull seria tratado como discos direcionados para os fãs mesmo , com toda divulgação feitas em redes sociais e com foco todo no digital. Já sabíamos ali que viria o EP com inéditas e achamos que não faria sentido, por exemplo, trabalhar três discos num ano só nos mesmos canais e junto à imprensa tb. O Vinil veio como uma escolha conjunta da Morcego com a banda que já tinha vontade de ter algo no formato há muito tempo.  É algo que faz parte das nossas influências e estórias, crescemos ouvindo 7″s das bandas da Lookout por exemplo, e achamos também que daria um bom formato para um disco comemorativo. A ideia de disponibilizá-lo junto ao mesmo tempo nos serviços digitais vem justamente para que todos tenham oportunidade de ouvi-lo já que o vinil restringe um pouco. Existe sim a possibilidade de lançá-lo posteriormente no formato CD Digipack mas não é uma prioridade ainda.
SG: O single chega antes do EP às mídias sociais apresentando esse material novo ao público.  Existe a ideia de lançar algum material em vídeo junto?
HB: A gente quer no dia do lançamento do EP, no dia 15, disponibilizar alguns vídeos dos integrantes do CARBONA falando sobre as músicas, alguns detalhes da produção mas devo confessar que ainda não fechamos a produção. Mas acredito que conseguiremos viabilizar. A ideia é que cada um possa falar um pouco de como foi o processo de gravação em meio aos 4 dias de ensaios , shows , durante a passagem do Pedro e do Bjorn que estão morando fora do Brasil. Se tudo correr bem, neste final de semana a gente conclui isso.
SG: Será muito interessante ter acesso a esses bastidores.  Com o Pedro e o Bjorn fora do Brasil, a banda deve sofrer alguma modificação de formação, pelo menos ao vivo?  teremos uma tour com esse material?
HB: Em abril nos apresentamos como trio, que foi a formação original da banda durantes os primeiros 14 anos. A gente no início ficou em dúvida como seria se apresentar sem o BJorn, principalmente nas músicas dos discos que vieram após o Dr Fujita, primeiro que ele gravou, mas nos surpreendemos! Nos sentimos bem com o formato e o show funcionou super bem. O Bjorn entrou na banda e se tornou um membro permanente que ajudou a moldar a cara que o Carbona tem hoje em estúdio, mas essa flexibilidade por parte dele e da banda é fundamental pra gente poder chegar até aqui. Faremos agora em outubro 5 shows de lançamento do EP e estaremos mais uma vez nos apresentando como trio. Falamos muito em gravar a distância e agora com essa flexibilidade podemos também fazer mais shows.
SG: Espero conseguir acompanhar algum deles. Realmente é interessante essa flexibilidade na formação da banda.  Com relação as músicas percebi que Fórmula Mágica não será a primeira música apresentada.  Escafandro foi gravado no formato acústico em um de seus EPs solos.  Podemos esperar um rearranjo na música?
HB: Escafandro ganhou uma versão turbinada , mais veloz, trazendo no EP uma porção de influências das bandas de hard core dos anos 90. Essa música é uma das favoritas do EP que gravei sozinho, o Espaço Ciferal, e desde que fiz a música tinha imaginado ela gravada com o CARBONA.
SG: Existe alguma chance de um caminho inverso, com um set acústico curto de músicas do Carbona nessa vibe do trabalho solo?
HB: Olha a gente já pensou algumas vezes em fazer algo assim, o problema é que toda vez que a gente pensa nisso eu sempre acabo incentivando a aplicar o tempo e recursos num novo disco de inéditas (risos). Mas não seria impossível. Todas as músicas do CARBONA nasceram como músicas compostas no violão, no quarto, então elas funcionam bem neste formato. Se você visitar meu instagram http://www.instagram.com/umavidatresacordes verá que tem algumas versões de música do CARBONA na viola e voz, no meu quarto, com cerveja na mão, risos. É um formato que gosto muito. Não me surpreenderia se um dia fizéssemos algo assim.
SG: Tenho certeza que muitos fãs achariam interessante algo assim.  De repente lado B de single ou música de volta para o bis  seriam incríveis.
Eu queria falar um pouco sobre a gravadora, de onde surgiu a ideia / necessidade da gravadora própria?
HB: Isso é um sonho antigo e recentemente me dei conta, aos 42 anos, que se demorasse mais tempo talvez teria que ficar para uma próxima passagem física (risos). Sou fã de musica desde os 10 anos, estou com 42. Trabalho com música digital há 8 anos, e toco há 25. Fazer coisas na música fazem todo sentido dentro da minha história de vida e tentei me encorajar para respirar fundo e ter a energia e espírito esportivo que requerem a empreitada. No final das contas, acho que estava certo por que independente do que aconteça , da minha capacidade de tornar isso uma atividade sustentável, o ano tem sido incrível e muito melhor do que seria sem a Morcego. Estou trabalhando com artistas incríveis, caçando discos bacanas, de gente que admiro e sou fã. Portanto só de olhar para estes discos, eu já sinto todo o prazer que achei que poderia sentir com essa empreitada.
SG: Percebi que em um primeiro momento os nomes envolvidos eram de gente próxima a você e a banda, como o Kaly (que se lembro certo, compôs algumas faixas do Carbona ou com o Carbona).  depois veio anúncio de nomes que não havia relacionado antes à banda como Os Thompsons.  Esse universo realmente tem se expandido?
HB: De uma maneira geral todos os lançamentos que tenho agendado para o segundo semestre têm algum tipo de relação com o CARBONA nestes 20 anos. O Gustavo Kaly é autor de músicas que já gravamos como O Mundo Sem Joey que gravamos no Taito, ele é co autor, e aparece cantando, em Dançando The Doors com Garotas ao Redoors no Cosmicômica e depois gravamos Lindos Refrões que um Velho Ensinou no Apuros. Alem disso havíamos feito shows juntos há muitos anos atrás. Sou fã do trabalho dele, sempre conversamos muito sobre possibilidades de parcerias e quando pensei no selo não pensei duas vezes. Trabalhamos juntos pra resgatar o Trilha Sonora para nossas vidas, primeiro trabalho dele gravado ainda na década de 90 e agora sai em cd digipack, o Primavera Punk e outras estacoes do falso jazz, uma coletânea com um pouco de tudo que ele fez e fará, já que adianta uma música do disco inédito que ele lança no ano que vem. Depois teremos single do Magaivers, banda parceira de longas datas com quem já fizemos dezenas de shows nas turnês do início dos anos 2000, Zumbis do Espaço, banda com a qual já tocamos também inúmeras vezes , Os Torto, do Davi Pacote , O Motor City Madness do Sergio que era da Los Vatos e com quem fizemos shows nos 2000. Mas tem mais coisa vindo por aí e não existem regras. Só acho que seja natural buscar parcerias com bandas que gosto e que ao longo dos 20 anos já havíamos trabalhado. Por outro lado espero ansiosamente o disco de uma banda carioca de hardcore que começa seus trabalhos este ano.
SG: E é bom ver que parte desse material já está aos poucos se fazendo presente no streaming como o Trilha Sonora Para nossas vidas que você mencionou.  A ideia é disponibilizar todo o conteúdo nesses canais?
HB: Sim, todos os lançamentos da Morcego Records serão sempre lançados nos serviços digitais. Nem tudo terá formato físico, mas sempre estará disponível nos canais digitais. Existem inúmeros materiais que gostaria de resgatar e lançar, como as demo tapes do Barneys, banda de hardcore melódico com  a qual toquei de 93 a 97, mas não tenho mais as masters e tudo que restou foram arquivos mp3 extraídos de k7 então a qualidade não é lá essas coisas.
SG: Vai ser um prazer acompanhar essa jornada, conte sempre conosco para divulgar os lançamentos.
HB: Demais! Tenha certeza que vou estar sempre dividindo as novidades com vocês e seus leitores.
SG: Eu quero muito agradecer sua disposição e disponibilidade Henrique e torço por todo o sucesso nessa nova empreitada.  Desejo sucesso e deixo o espaço aberto para você se despedir dos leitores e deixar qualquer mensagem que queira.
HB: Agradeço ao SpheraGeek pelo espaço e interesse no trabalho do CARBONA e faço um brinde a todos que veem na música uma forma de diversão e alegria! Quem quiser ficar por dentro das novidades da Morcego ou do CARBONA segue a gente la no http://www.instagram.com/morcegorecords ou então no facebook! Abraços!
SG: Valeu Henrique.

PS: Entre a realização da entrevista e o seu lançamento foi formalizado o lançamento do Zumbis do Espaço que ele mencionou, em vinil com edição limitada de 300 unidades numeradas a mão na sexta feira 13 de outubro.  Boa escolha!  Me entusiasmo de ver a chegada de uma gravadora apostando em plataformas digitais e produtos físicos premium.  Tenho certeza que ainda falaremos da Morcego Records que não só estréia tão bem, mas já promete tanto para ainda esse ano.
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[ST] Na ponta dos pés, na corrida do arco, no soar das cordas

Fala Galera!
Em um passado não tão distante, adultos confusos forçavam crianças a aprenderem violino.  Um instrumento sério, que exige concentração e dedicação.  Não que a dedicação e concentração não sejam necessários para o aprendizado do violino, mas também são necessários para qualquer outro instrumento.  Não acredito que existe um instrumento sério , assim como não existe um instrumento inerentemente irreverente.  O que temos é a criação de cada artista e o veículo de escolha de cada um deles para expor sua arte.
Fascinada pelo instrumento desde criança, a agitada Lindsey Stirling escolheu o sisudo violino para apresentar sua arte.  A história da artista é apresentada na sua, altamente recomendada, biografia “The Only Pirate at the Party” ou “A Única Pirata na Festa”.  Em sua versão do Audible (Audiobook), a própria compositora conta sua história marcada por reviravoltas e recomeços.  Minha idéia não é apresentar toda a rica história da artista, mas apresentar os principais pontos de sua carreira em vídeos que vão te levar através dessa história.  Vídeos que são quase tão importantes quanto as músicas, no caso dela.
Apesar de tocar desde criança e ter uma carreira já estabelecida, o ponto que deu visibilidade à artista foi sua participação no America’s Got Talent em 2010.  Se no início de suas participações a violinista hip hop, como era identificada, empolgou público e jurados, sua saída do programa é certamente mais lembrado pela maneira como foi feita.  O público assistiu sem acreditar enquanto isso acontecia.
Após deixar o programa, Lindsey se voltou para o seu canal no You Tube, criado em 2007, e trabalhou com o reconhecimento conseguido no programa.  Sua música ganhou o acompanhamento de outra de suas paixões, o cosplaying. O resultado dessa união pode ser encontrado em diversos vídeos publicados nessa época como o Tema do Pokemón por exemplo.
Anos depois, seu retorno foi apresentado de uma maneira bem diferente nesse vídeo.  Nesse momento, Lindsey era considerada o maior sucesso comercial a ter passado pelo programa.  Turnês mundiais, discos bem sucedidos e uma sólida base de fãs (em especial no You Tube por seus vídeos) levaram a violinista a essa posição de destaque e esse retorno.
Quando o You Tube anunciou o conceito do You Tube Red, que seria pago, procurou em seus maiores nomes a força necessária para a plataforma.  Um dos programas lançadores que estariam disponíveis apenas na versão paga foi justamente a cantora em um Making Of de seu mais recente álbum Brave Enough.
E recentemente sua música entrou para o universo Disney com o tema do remake de Meu Amigo Dragão em uma música e clip sensacionais.
E também virou trilha do jogo Rime como visto nesse clip.
E a autora de todo esse material se encontra a caminho do país.  Se você está lendo esse texto no lançamento ainda dá tempo para conseguir ingressos para os shows brasileiros da turnê Sul Americana de 2017.
25/Ago CityBank Hall – SP
26/Ago Km de VantagensHall – RJ
Existia uma terceira data em BH que infelizmente foi cancelada.
Por fim, provando que não se pode acertar todas, a produtora desse show parece não compreender a artista e seu público.  O show é permitido apenas para maiores de 8 anos de idade mesmo acompanhados dos pais, apesar do enorme público infantil da artista.
Por hoje é isso, corram para conhecer a artista e sua obra se tiverem a oportunidade e não saiam do tom,
Rodrigo Fernandes
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[ST] Crônicas Vampirescas no Tom

Anne Rice começou suas Crônicas Vampirescas muito antes do que eu pensava.  Em 1976 seu primeiro livro foi publicado “Entrevista com o Vampiro”.  Sua continuação O Vampiro Lestat só foi lançado quase 10 anos depois trazendo muito rock e  deu continuidade à essa trama musical até sua sequência em A Rainha dos Condenados.  Esse rock todo se contrapõe a combinação de jazz e blues que permeiam a maior parte das páginas de Entrevista com o Vampiro por se passar em grande parte em Nova Orleans.
No entanto, se a música só começa a movimentar a trama a partir do segundo volume da série, na literatura, no cinema o rock chegou antes (ainda que só um pouco).  Em 1994 foi lançado “Entrevista com o Vampiro” estrelado por Tom Cruise, Brad Pitt e uma criança chamada Kirsten Dunst.  Essa adaptação conta com uma boa trilha sonora instrumental, mas com um cover inédito de Simpathy for the Devil dos Rolling Stones tocado por um Guns n Roses no auge.

Em 2002 é lançado a nova adaptação da série para os cinemas. Sem o elenco do primeiro, e com uma história fortemente calcada na música, a Warner investe em atores desconhecidos e trilha sonora matadora.  O melhor do New Metal, no auge durante o início dos anos 2000, estava presente na trilha.  Além de músicas de grandes lançamentos do estilo, outras 5 músicas foram compostas para o filme por Jonathan Davis (Korn) e Richard Gibbs (Oingo Boingo).

Entregando o mínimo possível da trama, Lestat se torna uma estrela do rock, um cantor.  No livro uma passagem rápida entrega que uma das características do personagem que o fez ter sucesso seria a tessitura de sua voz, ou seja a capacidade de cobrir um amplo espectro vocal, do mais agudo ao mais grave.  Uma solução seria encontrar um cantor com essa capacidade.  Uma procura rápida me entregou 2 nomes adequados para empreitada com uma tessitura de cinco oitavas segundo a Wikipedia (como isso poderia dar errado) Axl Rose e Corey Taylor.  Axl Rose já havia cantado o single da primeira adaptação inclusive.  Qual o problema disso… ainda estaria dentro do limite humano.  Como solucionar essa questão então?
Para simular o amplo espectro, e riqueza de timbres, que uma voz vampiresca teria foram convidados cinco vocalistas diferentes.  Wayne Static (Static-X), David Draiman (Disturbed), Chester Bennington (Linkin Park), Marilyn Manson e Jay Gordon (Orgy) foram responsáveis pelas interpretações do personagem principal resultando em um dos aspectos mais ricos do filme.
Um outro ponto muito comentado desse filme foi o retorno as telas de Aaliyah para seu segundo filme no papel de Akasha.  A cantora que havia sinalizado a intenção de gravar para a trilha do filme e colaborar com Jonathan Davis morreu durante a pós produção em um acidente de avião.  Pessoalmente, gosto mais da movimentação e gestual ligado aos vampiros representados nesse filme em especial da Aaliyah e Stuart Townsend.  Alguns exemplos dessa movimentação podem ser vistos no trailer acima, mas seu ponto alto se dá nos palcos.
Depois de um longo hiato na série de livros a autora retorna à esse universo em 2012 com uma Graphic Novel, já tendo publicado outros doisromances depois disso.
De resto só posso sugerir que vocês procurem esse filmaço e suas músicas.
Se lembrarem de outros filmes com esforços extraordinários pela música, deixem nos comentários (tenho mais dois e devem virar post qualquer dia desses)
“Come out, come out, wherever you are…”
Rodrigo Fernandes.
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[ST] Shows bons podem ser decepcionantes?

Hoje vou fugir da minha política de evitar falar de algo que não curti e fazer uma ponderação que me parece interessante, algo pode ser bom e decepcionar ao mesmo tempo?  A pergunta do título me ocorreu ontem rodando por aí, no segundo show do dia.  Qual era o cenário?  Um dos maiores nomes do rock no palco, com uma banda afiada e meu lugar predileto para ir a shows. Não tem como dar errado, certo?
Frejat entrou no palco pontualmente como o lugar exige e na metade do show, apesar de todos estarem se divertindo muito e cantando todas as músicas tinha tocado, Barão da Era Cazuza, Vinícius Cantuária, Adriana Calcanhoto, umas 4 do Tim Maia e até uma música… do Frejat!!!!  Me sentia em um show de uma luxuosa banda cover.  Ao fim do show tínhamos umas 4 músicas da carreira solo, umas 2 do Barão no período que ele era o capitão do time e eu e minha filha ficamos com a impressão que ele tocou uma música duas vezes.
Isso é o que eu esperava ver, e essa foi uma das que ele tocou então eu até vi:

Foi um bom show?  Sim, claro!  Quem foi dançar, tomar cerveja e se divertir teve uma tremenda noite.  Foi decepcionante, sim também.  Já era meu terceiro ou quarto show do músico em sua carreira solo e foi o mais fraco deles.  Pouco material próprio e uma cara de banda de baile me deixaram com a impressão de que eu podia ter feito melhor uso da minha noite, inclusive um blueseiro gringo que fazia show gratuito na mesma hora e parecia promissor.  Se ele ainda estivesse divulgando um recém lançado álbum de covers, mas não era o caso.
Não foi o primeiro show decepcionante que fui na vida.  Marcelo Camelo cantando de costas e para dentro o show inteiro já falhou em entregar o bom conteúdo de seus discos para mim. Cícero, cantor de MPB da mesma escola de Camelo já incorreu no mesmo erro apesar de ter um primeiro disco brilhante.  Foi nessa turnê que fui assistir ao show.  Até mesmo um de meus maiores ídolos, Eric Clapton, já entregou um show mais ou menos em 2011 se comparamos ao show do músico em 2001.

Entendam, não é que esses shows foram ruins, mas foram menores do que poderiam ser.  Por isso a decepção.  Alguém mais já foi a bons shows decepcionantes?
Abraços e não saiam do tom,
Rodrigo Fernandes.
Heavy

[ST] Chester

“And I’d give it all away
Just to have somewhere
To go to
Give it all away
To have someone
To come home to”
My December – Linkin Park
Ontem foi um dia triste. Hoje é 21/Jul17 e ontem se foi uma das principais vozes de uma geração. Possivelmente levado por outro cantor que eu poderia descrever da mesma forma.
Em 2000 o álbum Hybrid Theory deu sentido a um novo movimento musical, para mim. O álbum foi a pedra fundamental e o norte do que deveria ser o New Metal. Infelizmente o gênero se perdeu e acabou ganhando uma imerecida má fama.
Alguns meses atrás, Chris Cornell tirou sua própria vida. O cantor era um grande amigo de Chester Bennington.  Chester era padrinho do filho de Cornell, Christopher, e muito amigo do cantor.
Ontem, no que seria o aniversário de Chris Cornell, Chester tirou sua própria vida.  Horas antes dos rumores começarem a se espalhar, o canal oficial da banda no You Tube divulgou o que deve ser seu canto do cisne, o videoclip de Talking to Myself

Com uma enorme tristeza por ambos os eventos me despeço.

Não saiam do tom,

Rodrigo Fernandes

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[ST] Dia do Rock: Retorno em púrpura – Sound & Vision

Fala Galera,
Hoje no dia do Rock traremos de volta um dos maiores nomes do estilo e que após sua morte ano passado está mais vivo do nunca na Web. Alguns podem já ter imaginado que, mesmo tendo escrito sobre ele num Spheratons recente, Prince está de volta ao site.  Tenham paciência e fiquem mais um pouco!!! Nas últimas semanas saíram importantes novidades sobre o artista e toda vez que algo aparecer sobre ele deve ter algo por aqui.  Vai por mim, vai valer a pena…
Antes de morrer, Prince trabalhou no projeto de lançamento de uma edição de aniversário de seu melhor álbum, na minha opinião, Purple Rain.  Essa versão não chegou a ser lançada na época do aniversário do álbum e  ela permaneceu engavetada até agora.   Purple Rain Deluxe [Expanded Edition] foi lançado em Junho de 2016 com 35 faixas.  O primeiro disco traz o álbum original remasterizado em 2015 no QG do artista Paisley Park.  O segundo disco traz faixas selecionadas da época, saídas do precioso Vault do artista em que  existem anos de lançamento em faixas e/ou versões inéditas.  O terceiro disco, totalizando as 35 faixas que mencionei,  traz as versões dos singles e seus lado-B ( será que eu devia explicar o que é single e lado-B? =D ).  A edição física ainda traz um importante “mimo”…  Prince and The Revolution num show nunca lançado.  Este foi realizado em Syracuse, 1985.  Nesse show você pode encontrar todas as músicas do disco e mais alguns clássicos em uma apresentação histórica.
Um dos destaques dos discos é a versão inédita e desconhecida de Father’s Song que aparecia recortada no filme e se apresenta aqui de maneira mais completa.  17 Days, lado B do seu single de maior sucesso When Doves Cry, eu só conhecia do cover feito pela minha banda favorita Living colour e por versões em péssima qualidade no formato MP3.  Computer Blue ganha uma versão 3 vezes mais longa com uma longa seção “cantada” pelo computador chamada Hallway Speech Version.  As remasterizações foram acompanhadas pelo próprio Prince.  Das remasterizações até as faixas que viram a luz do dia, pela primeira vez agora tudo soa bem em um lindo trabalho que homenageia o músico.
A segunda novidade veio poucos dias depois na forma de um canal de You Tube oficial.  A relação do Músico com o site sempre foi complicada.  Apresentações do músico se multiplicavam na plataforma carregadas pelos fãs e eram retiradas por problemas de direitos autorais na sequência.  Algumas apresentações como a do Hollywood Bowl e do Rock and Roll Hall of Fame estavam nos canais oficiais dos eventos, mas, de resto, a obra era efêmera.  apresentações em Grammies e outras premiações, shows que foram televisionados como o do Rock and Rio de 1992 estavam disponíveis em lugares aleatórios por períodos de tempo igualmente inconstantes.  Seu canal no VEVO traz apenas 2 vídeos, sendo que um deles é um comercial.  Esse canal traz, até o momento, apenas clips e apresentações da época do Purple Rain.  Porém traz ainda a esperança de ver mais material oficial sendo disponibilizado já que o artista mantinha muito conteúdo arquivado em seu cofre.  Cada uma das apresentações têm algumas dezenas de milhares de views até agora com exceção de When Doves Cry que já beira as 200.000 visualizações.

E com isso fechamos a coluna de hoje tratando dos novos tempos da obra do Prince no meio digital.  Acredito que se tem muito a ganhar com essa disponibilidade de material fácil e de alta qualidade do artista na rede.  Certamente, sua obra não será esquecida…
Abraços e não saiam do tom,
Rodrigo Fernandes.
RSmith

[ST] Sonhos de Rock. Games e Guitarras

Fala Galera,

Estamos aqui hoje para falar do sonho de ser um rockstar e como o videogame revolucionou a maneira de viver o sonho.  Sei que outras experiências já existiam antes, mas foi em 2005 que surgiu algo que iria revolucionar a maneira com que os games e o rock iriam se relacionar, o Guitar Hero.  Instrumentos de plástico com poucos botões e combinações permitiam que pessoas que não haviam estudado música estivessem lá, batendo a cabeça e se sentindo num palco.  A enorme quantidade de diversão levou a uma grande variedade de títulos na franquia.  A própria desenvolvedora do Guitar Hero Harmonix se juntou a outros parceiros e criou uma segunda franquia chamada Rockband (que lançou o melhor título, para mim, no estilo The Beatles: o Rock Band).  Se isso levou o sonho de palco para uma série de pessoas que antes não podiam ter essa sensação, as plataformas dividiam os músicos.

Títulos como Guitar Hero e Rockband ajudaram a equilibrar o mercado de direitos autorais das bandas (nessa época muito atingido pela pirataria através dos MP3), além de estar inspirando, e sendo o primeiro contato de jovens que nunca haviam sonhado em tocar um intrumento, mas que estavam mudando de idéia.  Entre os jogadores era muito difícil separar quem estava só se divertindo, de quem estava forçando uma barra e  de quem estava se inspirando para realmente tocar um instrumento.  As guitarras começaram a dividir espaço com microfones e baterias de videogame.  O mercado de acessórios estava tão movimentado quanto o musical.  Os jogos se tornaram plataformas para que as bandas divulgassem seus trabalhos mais recentes.

Em 2011 a Ubisoft lança a resposta dos músicos a tudo isso com Rocksmith.  O jogo exige que seja conectado ao game através de um cabo Real Tone proprietário, mas universal (o mesmo cabo pode ser usado no PS3, PS4 e derivados, XBox 360, XBox One e derivados e PC) uma guitarra de verdade.  Na verdade, a opção de baixo foi incluída ainda no começo e recentemente a opção de violões também se fez presente.  Novas músicas são incluídas semanalmente através de DLCs e a biblioteca já ultrapassa as 1000 múiscas disponíveis de todas as épocas e estilos.  Se você faz parte do grupo dos empolgados mas que não sabem tocar, não tem problema.  O jogo tem lições em vídeo das principais técnicas e exercícios usando a mesma tecnologia do jogo para garantir que você está aplicando a técnica corretamente.  Ela irá repetir quantas vezes for necessário e ainda reduzir as velocidades dos excercícios até ter certeza que o material foi compreendido.

Isso funciona?

Sim.  Um amigo que não sabia tocar foi quem me apresentou o jogo.  Fui ajudá-lo a comprar uma guitarra e comprei o jogo para mim também.  A maior dificuldade no entanto é a de identificar quando você deve começar a se afastar do jogo e começar a abraçar o instrumento realmente.  Se isso não for feito, ainda que você permaneça jogando, mas também tocando sem o jogo, você corre o risco de ter uma guitarra semelhante a do Guitar Hero, mas com mais “botões”.  Asprincipais funcionalidades podem ser vistas nesse vídeo:

Mas e se eu já toco?

Ótimo!  Esse é um bom exercício, em especial para o baixo que é um instrumento mais complicado de tocar sozinho.  É divertido e pode ampliar sua cultura e capacidade musical, inclusive introduzí-lo a novos estilos e técnicas.

E como ficou o mercado hoje?

Não tem resposta certa e tem espaço para todo mundo.  Não tenho visto material para o Rock Band, mas o lançamento de DLCs de repertório são constantes para o Guitar Hero e para o Rocksmith.  as opções estão aí para todo mundo, quer você queira aprender, praticar ou se divertir.

Por hoje é só, mãos à obra e controles…não percam o tom!

 

Rodrigo Fernandes

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O Reinado de Taylor Swift e sua História

Fala Galera!
Em um dia de manchetes com cara de mentira já começo com uma…
Taylor Swift é para mim o artista atual com maior potencial para se tornar uma lenda e revolucionar o mercado da música hoje em dia.
Pode soar forte colocar algo assim hoje em dia.
Quando pensamos outros nomes que encaixariam na descrição podemos encontrar Beatles, Michael Jackson, Madonna entre outros.  É evidente que a Taylor Swift não está nesse meio hoje em dia, e nem é isso que estou falando aqui.  Ainda falta tempo, estrada e carreira.  Pode dar tudo errado mais para frente, ainda que eu não acredite nisso, mas hoje é ela que vejo com mais futuro.
Como tudo começou
Eu não estava acompanhando a carreira dela quando apareceu, só descobri a artista no segundo disco, mas o primeiro disco é muito especial.  Com uma estética e idade parecida à de artistas do eixo Disney / Nickelodeon ela surgiu na pequena cidade de Reading com menos de 100 mil habitantes.  Desse ar de cidade pequena saiu um fantástico disco country de estréia.  Se prepare para ser surpreendido quando você espera entrar aquele solo de guitarra e um inacreditável banjo tomar os seus ouvidos.   O álbum soa inesperado e surpreendente em especial por ter sido composto e gravado por uma garota entre os 16 e 17 anos.  Acredito que em especial por esse disco a artista entrou recentemente em uma lista de 100 maiores artistas country da história pela Rolling Stone ( https://t.co/3bbsEYMiOW ).  Uma curiosidade é que ela ficou melhor posicionada que o Tim McGraw, artista admirado por ela e que tem uma música que leva seu nome e foi o primeiro single desse primeiro disco.  Outra curiosidade é que durante o processo de divulgação do disco uma rádio ao entrevistar ela colocou ele na linha sem ele saber.  A reação soa muito autêntica e ela simpática.  Para quem manda bem no inglês essa gravação vale muito a pena.

Como eu conheci a artista, e o resto do mundo também
No segundo disco os singles aumentaram, os clips se tornaram mais populares, a parte pop da música cresceu em importância, sem deixar de lado as raízes, e ajudou a espalhar sua música pelo mundo.  Fearless é um álbum que funciona muito bem, suas músicas em versões acusticas também.  Os clips são interessantes e retratam bem o universo não só da autora, mas de boa parte do seu público alvo.  Eu que já estava muito interessado pelo trabalho da artista me deparei com mais um fato surpreendente.  Taylor Swift que já ganhava destaque e influência no mercado musical foi convidada a participar de um programa chamado CMT Crossroads, onde costumam se encontrar bandas e/ou músicos de diferentes estilos.  Sua missão seria dividir o palco com a banda de Hard Rock Def Leppard, que já havia sido uma banda de muito sucesso, mas não chegou tão popular aos anos 2000.  Ela aparece no backstage desse encontro contando como ficou encantada com o convite e que sua mãe gostava muito da banda e que seria algo muito especial… e foi.  A apresentação mistura sucessos de ambos os lados em arranjos muito ricos.  Duas baterias, as guitarras do Def Leppard deixam os músicos da banda dela livres para intrumentos como rabeca e banjo e tudo soa muito bem.

Seria o mundo o bastante?
A cantora segue com um álbum onde apesar de manter algo de suas raízes country avança cada vez na música pop e a torna cada vez mais conhecida ao redor do mundo.  Speak Now apresenta diversos singles e mesmo as outras músicas se tornam conhecidas pontualmente.  Mean recebe dois Grammys relacionados a música country.  A turnê de lançamento durou um ano aproximadamente e gerou seu primeiro disco ao vivo Speak Now – World Tour Live.  Nesse álbum / DVD/ Blu Ray a cantora navega do pop mais dançante ao seu voz e ukulele sob uma palmeira de neon, trafegando evidentemente pelo country que permeia sua carreira.

Hora da Guinada
Taylor Swift já vinha sinalizando em entrevistas e outros contatos com fãs que pretendia se reinventar e planejava fazer algo melhor que qualquer outro conteúdo já produzido por ela.  O álbum realmente soa mais pop, mais experimental e mais diverso do que a cantora já se apresentara em qualquer momento da sua carreira.  Em seu primeiro dia de vendas online, Red tomou os primeiros lugares das paradas no iTunes, inclusive iTunes Brasil, e Goggle Play.  Contando com diversas músicas lançadas previamente como singles o álbum foi muito bem recebido.  Nesse momento a artista já era uma estrela de primeira grandeza no mundo Pop e todo material produzido por ela aguardado ansiosamente e analisado pesadamente em seu lançamento.  entre os diversos sucessos do disco uma favorita é Everything Has Changed, um dueto com Ed Sheeran que não só é uma música incrível como é ajudada por um clipe marcante.  Nele é retratada a infância como ela sempre deveria ser, mágica, remetendo diretamente à quadrinhos como Calvin e Haroldo.

Pé Embaixo no Pop
Com o lançamento em 2014 de 1989, o disco que leva como título o ano de seu nascimento, a cantora se entrega de vez ao pop e a música eletrônica.  É muito difícil encontrar vestígios de suas raízes country e isso choca parte dos fãs.  Apesar disso a crítica recebe bem o álbum que leva mais um prêmio Grammy tornando-a a primeira mulher a levar o prêmio duas vezes por trabalhos autorais aparentemente.  O compositor e intérprete Ryan Adams publica em 2015 que enxergava um outro disco sob aquele lançado e que pretendia lançar uma regravação do disco completo com uma outra proposta.  Taylor ao saber do projeto pelo Twitter se mostrou empolgada com o projeto e ajudou muito na divulgação.  Esse disco pode ser encontrado nas plataformas de streaming, porém nunca foi lançado em formato físico.  Seu single Bad Blood foi puxado por uma inacreditável quantidade de participações especiais no video clipe e pela participação do rapper Kendrick Lamar.

Polêmicas recentes 
Em 2014 a artista se recusou a disponibilizar seu novo álbum nas plataformas de streaming, e ainda retirou os álbuns anteriores.  Publicou ainda, uma carta aberta criticando os valores pagos aos artistas e a forma de remuneração desses sites como um todo.  Isso se manteve até esse mês (jun/17) quando todo seu catálogo retornou as principais plataformas.  O motivo oficial seria celebrar 10 milhões de cópias vendidas, extra oficialmente o motivo seria ofuscar o lançamento do novo single da Katy Perry.  Bem sucedida quaisquer que tenha sido o motivo.  Os fãs agradecem profundamente o retorno do catálogo.
Achando que este seria o assunto mais recente descubro na semana da publicação desse post que ela está novamente no negócio de manchetes bombásticas.  Entenda o motivo pelo qual Taylor Swift poderia ser a nova Eddi Van Halen nesse post do guitarrista Marcos de Ros.

Mas enfim, por que ela teria mais chances de ser uma nova referência na música mundial do que suas concorrentes óbvias e músicos muito superiores a ela?
- Acredito que ela seja uma artista com raízes muito fortes, com pé no chão e uma tranquilidade muito grande.
- Sua música continua muito rica e sua poesia também, como visto na regravação de 1989, independente de quanta eletrônica esteja em sua música ou das parcerias que faça.
- Ela está disposta a enfrentar e vencer barreiras com humildade e bom humor, de tocar ukulele e voz para um estádio até fazer um show com uma banda cujos integrantes são mais velhos que seus pais tocando em um estilo completamente diferente.
- Ela gera uma diferença de comportamento com sua música, quer seja quando se revolta contra o establishment que se tornaram as plataformas de streaming, quer seja recebendo prêmios por seu trabalho autoral, quer seja inspirando novas gerações no mundo da música (tocando ou compondo).
Nada parece grande demais ou pequeno demais para a artista e por isso estou interessado em quaisquer que sejam os próximos passos dela na sua carreira.
Por enquanto é isso.  Se você tem apostas melhores que a minha conta aí nos comentários.
Aqui segue um último vídeo para encerrar.  Esse é meu vídeo favorito da artista, onde ela mostra todo seu carisma, simpatia e qualidade.
Até mais e não saiam do tom,

Rodrigo Fernandes
BMG

Blue Man Group – Por mais estrelas azuis

Mais que uma banda, o projeto artístico conhecido como Blue Man Group começou em 1991 e conta com diversos espetáculos fixos, além da trupe itinerante. Parte importante desse conceito é o fato de que eles não falam, eles não cantam e apenas se comunicam de maneira física ou por expressões. A banda se utiliza de cantores, vídeos, textos, ou quaisquer outros meios como responsáveis por essa função. Além do recém lançado Three (2016) a banda lançou três álbuns e alguns sigles:

Álbuns – Audio (1999) – The Complex (2003) – Live at The Venetian – Las Vegas (2006)

O áudio aparece apenas no Spotify e Live in The Venetian não parece estar disponível em streaming no momento. O lançamento do álbum Three fez parte das comemorações do aniversário de 25 anos do projeto que envolveu ainda o lançamento de um livro de capa dura, graficamente rico e que promete uma experiência tão inesperada e surpreendente quanto seus concertos. A Amazon Brasil importa o livro sob demanda:

https://www.amazon.com.br/Blue-Man-World-Group/dp/0316395188/ref=sr_1_5?ie=UTF8&qid=1483664380&sr=8-5&keywords=blue+man+group

O Trailer do Lançamento do Livro é muito ilustrativo sobre o “desrespeito” da banda pelo tradicional.

Também interessante é o vídeo do crossover com Star Wars ilustrando seu “processo seletivo”.

Ou esta incrível versão do tema do 007

O grupo certamente parece não ter limites e nem seus convidados / homenageados, quando estão com eles.

Aqui no Brasil eles ficaram muito conhecidos quando em 2009 trouxeram a turnê How To Be a Megastar (Como se Tornar um Megastar) permanecendo no país durante alguns meses enquanto filmavam material publicitário para a parceria com a TIM Brasil que patrocinou a turnê como parte do seu marketing. Essa mesma turnê havia passado em 2007 pelo Brasil com poucos concertos e divulgação. Vendidos nessa primeira turnê como um “tipo de Cirque de Soleil” nada poderia estar mais longe da verdade, da irreverência e da criatividade dos artistas. Em 2011 o grupo participou do Carnaval Baiano ao lado do Carlinhos Brown.

A parceria com a TIM Brasil parece já ter acabado. Nenhuma das partes devolveu uma confirmação a respeito e esta publicação pode ser atualizada a qualquer momento caso alguma das partes se pronuncie.

Estive em uma das apresentações de 2009 e a primeira coisa a chamar a atenção, nos concertos da banda, são os instrumentos não convencionais utilizados por eles ou o uso não convencional de instrumentos já conhecidos presentes no palco. Uma série de itens construídos com canos de PVC, diversos compõe o palco, mais do que o som diferente, seu uso leva necessariamente a um tipo de coreografia, enriquecendo a performance visual que é parte da confusão milimetricamente ensaiada e reproduzida no palco o tempo todo. Tintas e “melecas” fazem parte do espetáculo fazendo com que o público nas primeiras filas recebam, simpaticamente, uma capa de chuva para se proteger (The Poncho seats)… e o que será que aquele piano está fazendo encostado ali na parede (encostado mesmo (os pés do piano estão na parede escorando ele). Falando agora do show e da música de How to be a Megastar (a popular turnê que passou pelo Brasil duas vezes, antes de começar o espetáculo, e sem nenhum tipo de anúncio, mensagens como “Se você curte Rock and Roll bata palmas” ou “Se você ama um solo de guitarra, grite” passa rapidamente em displays a frente do palco. Em um primeiro momento apenas uns poucos batem palmas já que a atenção não está no palco com as luzes ainda acesas…Outros olham para aqueles que participam da brincadeira sem entender, mas aos poucos vão percebendo e entrando no espírito, e muito da banda está nisso: Espírito! As mensagens se sucedem até vir uma especial. Algo como “Se você subiu em um coqueiro depois de ter tomado duas garrafas de tequila, caiu de cabeça e cancelou a turnê por um traumatismo craniano, grite!”. Isso remetia diretamente ao acidente do Keith Richards poucos anos antes e as pessoas não sabiam se gritavam ou riam…Acabou sendo meio a meio! Com as pessoas já aquecidas, está na hora do show!! E que espetáculo sensacional é apresentado deixando duas perguntas: – Você está pronto para ser um Megastar?

Como ser um Megastar? http://www.submarino.com.br/produto/6775553?oferta=363737353535342e30303737363537343030303636302e4e4557

E torcer para que eles voltem em algum momento para cá.

Recentemente tive a oportunidade de assistir também o espetáculo fixo em Orlando (no Parque da Universal) e consegui perceber a mesma qualidade e preocupação com a inovação.  Ainda assim, fica claro que a proposta do espetáculo é diferente.  Com esquetes mais físicas, curtas e diretas, fica clara a preocupação do grupo com o público alvo existente.  No caso da Universal, esse público é infantil e formado por um grande número de pessoas que não dominam o idioma.

Por hoje esse é todo o azul disponível e fico por aqui.

Não saiam do tom,

Rodrigo Fernandes.

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[SC] Mandy Harvey e A Voz que surpreendeu…

A Surpresa…
Na noite de 6/Junho/17 algumas pessoas puderam testemunhar um surpreendente e inesperado espetáculo musical.  Nas eliminatórias do programa America’s Got Talent uma garota de aparência tímida esperava em meio ao palco. Óculos e ukulele chamavam a atenção no prelúdio do que estava para acontecer.  Após Simon Cowell pedir que Mandy Harvey se identificasse perguntou em seguida quem era a pessoa do lado dele.  A resposta foi “minha intérprete” e “sou surda”. Na sequência Sarah ajudou a musicista a esclarecer alguns pontos de sua trajetória.  Possivelmente em seu momento mais dramático ela explica que consegue acompanhar o tempo pela vibração no chão.  Isso explica ela tocando descalça no palco.  Essa cena me remeteu diretamente ao Beethoven de Minha Amada Imortal com a cabeça deitada sobre o piano enquanto tocava minha peça favorita do compositor Moonlight Sonata.
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Ao ser sinalizado que iniciaria a apresentação ela sinalizou e se juntaram a ela dois músicos (baixista e tecladista).  Iniciando sozinha ao ukulele Mandy impressiona pela qualidade, afinação e firmeza na voz e na apresentação.  Segurando a música quase sozinha em seu instrumento os músicos criavam texturas e detalhes muito interessantes ao redor da linha principal.  Toda vez que as câmeras apontavam para o outro lado, pessoas boquiabertas ou chorando podiam ser encontradas.  Um dos juízes levantou no meio da música e visivelmente não conseguia se conter.  Ao fim da música Cowell afirma que “você não vai precisar de um intérprete para isso” e aperta algo chamado Golden Buzzer que coloca o candidato automaticamente nas quartas de final. Isso feito sem ouvir os outros jurados, que visivelmente concordavam com ele.  Acredito que os quatro teriam apertados ao mesmo tempo se isso fosse possível.

Horas após a publicação do vídeo no canal oficial, este já contava com milhões de views, isso fora as muitas outras maneiras de compartilhamento.  A faixa autoral cantada por ela, Try, foi parar nos mais vendidos do ITunes.   Facebook em especial, e outros como Twitter e Whatsapp, multiplicaram e tornaram conhecido o tímido rosto que encontrei essa manhã na minha timeline.  Tamanho fenômeno não demorou a ser repercutido na mídia que em geral se limitou a traduzir e reproduzir o que foi dito no palco e compartilhar ainda mais a inacreditável apresentação.
O que não foi contado…
Mandy Harvey está longe de ser uma estreante desconhecida em um programa de calouros.  A musicista estudava música quando perdeu a audição entre 2006 e 2007.  Retornou à música em 2008 após tentar algumas opções de carreira menos “desafiadoras” com relação a sua nova condição.  Ao voltar angariou certa reputação e tocava em diversas casas de shows.  Gravou 3 discos, singles e um EP de Natal (mania de americano).  É palestrante e apresenta diversas palestras para públicos igualmente diversos, essas parecem girar entre sua condição física, dificuldades na carreira por esse motivo e a música. Sua agenda de shows mostra apresentações no futuro próximo para Colorado e Califórnia.  Diversos outros estados já tem datas marcadas ao longo do final do ano e início do ano que vem.  Depois de ontem creio que essa agenda estará muito mais carregada em breve.
Encontrei essa matéria curta, mas bem completa com a cantora onde é possível ver o improvável cotidiano dela (legendas em inglês)

Ela definitivamente não é uma Youtuber e seu canal (https://www.youtube.com/user/Mandy4Jazz/) não publica nada há um ano.  Sua presença também não parece muito forte no Twitter (@mandyharvey). No entanto, o site é bem completo e atualizado (http://www.mandyharveymusic.com/).  Sua página do Facebook também apresenta um bom movimento (http://www.facebook.com/#!/mandyharveymusic).  Mandy ainda trabalha em um livro que torço para que seja publicado em breve.
E agora…
Para concluir o texto, eu queria dizer que essa é certamente uma cantora que eu vou seguir atentamente a carreira após ouvir os discos e ver sua apresentação.  Pessoalmente, ela não fica devendo nada para grandes nomes como Norah Jones e Joss Stone.  Em discos apresentando vários standards do jazz, com músicas cantadas por gente como Louis Armstrong e Frank Sinatra (The Voice), sua autoral Try não soa deslocada, mas parte da obra e de sua interpretação.
Quatro de suas músicas entraram instaneamente no meu set de favoritos no Deezer: Try, Angel (Sarah McLachlan), I’ve Got You Under My Skin (Cole Porter, interpretada por Frank Sinatra, U2 e inúmeros músicos conhecidos) e Mara’s song (que também parece ser autoral).
Espero todo sucesso à artista e turnês internacionais (advogando em causa própria)…
Espero voltar em pouco tempo com mais novidades musicais / internéticas, enquanto isso…
Não saiam do tom.
[]
Rodrigo Fernandes
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[SE] Prince – Revolução em Púrpura

 “Dearly beloved,
We are gathered here today
To get through this thing called life”

 

Há pouco menos de um ano escrevi sobre a perda de um ídolo e uma inspiração. Prince se foi no dia seguinte ao meu aniversário e, em meio a uma viagem comemorando, escrevi meio chorando um post na beira da piscina.  Você pode ver o resultado disso ali no Leitor Cabuloso.  Hoje venho de casa nova falar sobre a volta de sua obra em grande estilo, um retorno esperado por muitos e carregado de ansiedade e esperança.

Em 30 de Janeiro deste ano, notícias surgiram a respeito do material promocional roxo do Spotify.  Esse fato logo gerou boatos a respeito de uma volta do material do Prince, marcado pela cor devido ao seu maior hit “Purple Rain” e parte do figurino usado pelo artista.  Esse fato é marcante pelo material ter sido retirado de todos os canais de streaming, com exceção do Tidal e alguns bootlegs que eram rapidamente retirados do ar. pelo próprio músico.  Em pouco tempo chegou a confirmação de que o catálogo do artista relacionado à Warner estaria de volta aos principais catálogos de streaming. Vale ressaltar que o material estava, em grande parte, disponível no iTunes e Google Play ainda que apenas para compra.  Ainda assim o material está entrando na Apple Music, Google Play Music, Spotify e Deezer.

O Spotify foi muito feliz em concentrar todo o material em uma única página.  Essa atitude facilitou muito o acesso ao material na página:

O Deezer separou o material em três blocos.  O material do Prince solo, Prince & The Revolution e Prince & The New Power Generation.

Além dos principais discos do início da carreira, algum material recente também foi incluído.  Alguns singles estão presentes no pacote, o que traz algumas músicas muito boas ainda que desconhecidas.  De certa forma, uma decepção com o lançamento (nada é perfeito afinal) é a ausência do famoso Black Album.  O álbum proibido que deveria ter sido lançado em 1984, depois em 1987, foi lançado em edição limitadíssima em 1994 e enfim recolhido e retirado de circulação em 1995. Já esteve disponível no Tidal em 2016 e era uma expectativa dos fãs com certeza!!! Ainda que eu tenha o CD de 1994, certamente gostaria que estivesse nesse relançamento.

Na sequência da notícia, e toda a empolgação que com ela veio, a Universal não querendo ficar para trás anunciou um acordo com os herdeiros relacionados ao material restante.  Isso inclui 25 discos independentes lançados a partir de 1995 até seu retorno à Warner em Art Official Age.  O material do famoso cofre também estaria incluso nesse acordo e contempla gravações ao vivo, ensaios, jams, músicas soltas e álbuns completos, prontos para lançamento, guardados em seu interior.

No fim de 2016 voltou a circular a possibilidade do lançamento de uma edição especial dupla e possivelmente com vídeos do “Purple Rain”.  Torço muito pelo lançamento desse material!  O álbum não só foi o primeiro que ouvi do músico…É também o meu favorito de toda sua extensa carreira!!!

 

Com tudo isso, realmente parece que 2017 é o ano da volta de Prince e sua música… Uma pena que ele não esteja por perto para ver a loucura que será.  Se não conhece ainda corra e ouça, se conhece sei que já está ouvindo.

Abraços e não saia do tom,

Rodrigo Fernandes.