[SC] Mandy Harvey e A Voz que surpreendeu…

A Surpresa…
Na noite de 6/Junho/17 algumas pessoas puderam testemunhar um surpreendente e inesperado espetáculo musical.  Nas eliminatórias do programa America’s Got Talent uma garota de aparência tímida esperava em meio ao palco. Óculos e ukulele chamavam a atenção no prelúdio do que estava para acontecer.  Após Simon Cowell pedir que Mandy Harvey se identificasse perguntou em seguida quem era a pessoa do lado dele.  A resposta foi “minha intérprete” e “sou surda”. Na sequência Sarah ajudou a musicista a esclarecer alguns pontos de sua trajetória.  Possivelmente em seu momento mais dramático ela explica que consegue acompanhar o tempo pela vibração no chão.  Isso explica ela tocando descalça no palco.  Essa cena me remeteu diretamente ao Beethoven de Minha Amada Imortal com a cabeça deitada sobre o piano enquanto tocava minha peça favorita do compositor Moonlight Sonata.
Immortal-Beloved-Gary-Oldman
Ao ser sinalizado que iniciaria a apresentação ela sinalizou e se juntaram a ela dois músicos (baixista e tecladista).  Iniciando sozinha ao ukulele Mandy impressiona pela qualidade, afinação e firmeza na voz e na apresentação.  Segurando a música quase sozinha em seu instrumento os músicos criavam texturas e detalhes muito interessantes ao redor da linha principal.  Toda vez que as câmeras apontavam para o outro lado, pessoas boquiabertas ou chorando podiam ser encontradas.  Um dos juízes levantou no meio da música e visivelmente não conseguia se conter.  Ao fim da música Cowell afirma que “você não vai precisar de um intérprete para isso” e aperta algo chamado Golden Buzzer que coloca o candidato automaticamente nas quartas de final. Isso feito sem ouvir os outros jurados, que visivelmente concordavam com ele.  Acredito que os quatro teriam apertados ao mesmo tempo se isso fosse possível.

Horas após a publicação do vídeo no canal oficial, este já contava com milhões de views, isso fora as muitas outras maneiras de compartilhamento.  A faixa autoral cantada por ela, Try, foi parar nos mais vendidos do ITunes.   Facebook em especial, e outros como Twitter e Whatsapp, multiplicaram e tornaram conhecido o tímido rosto que encontrei essa manhã na minha timeline.  Tamanho fenômeno não demorou a ser repercutido na mídia que em geral se limitou a traduzir e reproduzir o que foi dito no palco e compartilhar ainda mais a inacreditável apresentação.
O que não foi contado…
Mandy Harvey está longe de ser uma estreante desconhecida em um programa de calouros.  A musicista estudava música quando perdeu a audição entre 2006 e 2007.  Retornou à música em 2008 após tentar algumas opções de carreira menos “desafiadoras” com relação a sua nova condição.  Ao voltar angariou certa reputação e tocava em diversas casas de shows.  Gravou 3 discos, singles e um EP de Natal (mania de americano).  É palestrante e apresenta diversas palestras para públicos igualmente diversos, essas parecem girar entre sua condição física, dificuldades na carreira por esse motivo e a música. Sua agenda de shows mostra apresentações no futuro próximo para Colorado e Califórnia.  Diversos outros estados já tem datas marcadas ao longo do final do ano e início do ano que vem.  Depois de ontem creio que essa agenda estará muito mais carregada em breve.
Encontrei essa matéria curta, mas bem completa com a cantora onde é possível ver o improvável cotidiano dela (legendas em inglês)

Ela definitivamente não é uma Youtuber e seu canal (https://www.youtube.com/user/Mandy4Jazz/) não publica nada há um ano.  Sua presença também não parece muito forte no Twitter (@mandyharvey). No entanto, o site é bem completo e atualizado (http://www.mandyharveymusic.com/).  Sua página do Facebook também apresenta um bom movimento (http://www.facebook.com/#!/mandyharveymusic).  Mandy ainda trabalha em um livro que torço para que seja publicado em breve.
E agora…
Para concluir o texto, eu queria dizer que essa é certamente uma cantora que eu vou seguir atentamente a carreira após ouvir os discos e ver sua apresentação.  Pessoalmente, ela não fica devendo nada para grandes nomes como Norah Jones e Joss Stone.  Em discos apresentando vários standards do jazz, com músicas cantadas por gente como Louis Armstrong e Frank Sinatra (The Voice), sua autoral Try não soa deslocada, mas parte da obra e de sua interpretação.
Quatro de suas músicas entraram instaneamente no meu set de favoritos no Deezer: Try, Angel (Sarah McLachlan), I’ve Got You Under My Skin (Cole Porter, interpretada por Frank Sinatra, U2 e inúmeros músicos conhecidos) e Mara’s song (que também parece ser autoral).
Espero todo sucesso à artista e turnês internacionais (advogando em causa própria)…
Espero voltar em pouco tempo com mais novidades musicais / internéticas, enquanto isso…
Não saiam do tom.
[]
Rodrigo Fernandes