[SA] Kabaneri of The Iron Fortress

Olá eu sou o Nelson …

A primeira coisa que vem à mente quando se vê a abertura ou qualquer imagem de Koutetsujou no Kabaneri (ou Kabaneri of The Iron Fortress se você preferir inglês) é de como o visual dele é bonito e interessante, o que em um anime representa muita coisa. A obra incorpora vários elementos do Steampunk misturados com ambientes do Japão feudal. Se fosse para classificar de maneira resumida, diria que é uma animação de zumbis num Japão da revolução industrial. Mas afinal, do que se trata a história?

O mundo foi assolado por um vírus que transforma humanos em criaturas vorazes com o único objetivo de se alimentar de tudo que tiver sangue correndo pelas veias. Em Hinomoto, país situado numa ilha, essas criaturas são chamadas de Kabane. A solução encontrada para evitar os estragos foi construir estações de trem fortificadas para abrigar o que resta da civilização. O único meio de transporte seguro entre essas fortificações seriam os Hayajiro, que são locomotivas encouraçadas.

MumeiLogo no começo, já vemos que existe um sistema de classes sociais bem rígido com os nobres e militares no topo e o restante servindo na base. A postura da classe trabalhadora é de completa submissão, o estado crítico de sobrevivência apenas reforça isso já que essas pessoas dependem dos soldados para protegê-las. Todos vivem aterrorizados pelos Kabanes, pois desconhecem a origem e a verdadeira natureza dessas criaturas. Alguém infeliz o suficiente para ser infectado pelo vírus, geralmente através da mordida, acaba com poucas opções. A mais bem vista pela comunidade é o suicídio através de um dispositivo explosivo aplicado direto no coração.

AyameÉ nesse contexto que conhecemos o protagonista, Ikoma. Ele é um rapaz que vive na estação Aragane e trabalha como ferreiro e mecânico. É bastante engenhoso e hábil com máquinas, sua maior obsessão é construir uma arma realmente eficaz contra os kabanes que possuem uma espécie de couraça muito dura envolvendo seu único ponto vital. O que mais gostei nele é a noção de racionalidade que guia as suas ações no anime, quando a maioria enlouquece logo que é confrontada pela ameaça dos monstros. Ele também meio que “caga e anda” para convenções sociais e senso comum, o que o deixa em situações difíceis e eventualmente trágicas.

É numa dessas situações que o rapaz conhece Ayame Yomogawa, primogênita da família que governa a estação Aragane e Kurusu, o bushi guarda costas da moça. Ayame é a típica donzela misericordiosa enquanto Kurusu é o cão de guarda que parece se importar apenas com o bem estar da dona.

Nosso querido protagonista desacata alguns bushis por testemunhar um ato de arbitrariedade e despreparo deles ao lidar com um possível infectado. Enquanto Ikoma está preso,  as coisas vão pro caralho e a estação é invadida por uma horda de kabanes. No meio desse inferno ele consegue testar sua muito eficiente e estilosa arma anti-kabanes, uma espécie de bate-estaca explosivo capaz de perfurar o núcleo dos monstros. Ele é mordido na luta e decide que não quer morrer e tão pouco se transformar, então através de um procedimento cirúrgico improvisado na hora do desespero ele consegue conter o avanço da transformação. Enquanto isso, em outra parte da estação, as pessoas tomam conhecimento da personagem super fofa e super fodonica do anime, Mumei. Os habitantes da estação são obrigados e embarcar no Koutetsujou e fugir para sobreviver. Ikoma descobre, por intermédio de Mumei, que ele agora não é mais um humano comum e sim um Kabaneri assim como ela. Os kabaneri têm capacidade sobre-humana e precisam se alimentar do sangue de pessoas para não enlouquecer de fome e se transformar completamente em kabane.

IkomaComo podem perceber o enredo e os personagens seguem alguns clichês básicos, no entanto a parte estética e a ação são ótimos, os personagens evoluem de uma maneira satisfatória, alguns outros secundários aparecem e tudo vai bem até uma certa altura, lá pelo episódio 5. A introdução de um determinado personagem coloca a série num rumo que não me agradou. O personagem em questão é o vilão da história, e tudo nele parece bobo e genérico, desde o visual até as motivações. O final do anime chega com uma resolução apressada e nada satisfatória, a possibilidade de uma segunda temporada fica balançando no ar.

Mas afinal de contas, vale a pena ver esse troço? Digo que vale sim. A série tem 12 episódios e se comete o pecado de ser boba em vários momentos, pelo menos nunca fica chata. Outro fator positivo é que as personagens femininas não são muito sexualizadas, o anime é bem contido no fanservice. Diferente de outra animação com zumbis do mesmo diretor, que tem uma quantidade ridícula de momentos zé punhetinha.

Koutetsujou no Kabaneri é um daqueles animes que tinha potencial para ser memorável, contando com a produção do mesmo estúdio e o mesmo diretor do aclamado Shingeki no Kyojin e uma estética muito bacana no estilo steampunk. Uma pena acabar como mais uma série mediana.