SpheraBook #20 – Poema de Lord Byron e Conto de Autoria Própria!!!

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Olá a todos,

Novamente venho a vocês com contos.

Um deles, um poema, de Lord Byron. Escritor inglês que influenciou muitos escritores como Álvares de Azevedo. O outro conto é de minha autoria também. Espero que gostem do post.

 

Comentem sobre os contos para que trabalhemos sempre para a melhoria deles.

 

Agradeço a todos a atenção.

Não me sorrias à sombria fronte,

Ai! sorrir eu não posso novamente:

Que o céu afaste o que tu chorarias

E em vão talvez chorasses, tão somente.

E perguntas que dor trago secreta,

A roer minha alegria e juventude?

E em vão procuras conhecer-me a angústia

Que nem tu tornarias menos rude?

Não é o amor, não é nem mesmo o ódio,

Nem de baixa ambição honras perdidas,

Que me fazem opor-me ao meu estado

E evadir-me das coisas mais queridas.

De tudo o que eu encontro, escuto, ou vejo,

É esse tédio que deriva, e quanto!

Não, a Beleza não me dá prazer,

Teus olhos para mim mal têm encanto.

Esta tristeza imóvel e sem fim

É a do judeu errante e fabuloso

Que não verá além da sepultura

E em vida não terá nenhum repouso.

Que exilado – de si pode fugir?

Mesmo nas zonas mais e mais distantes,

Sempre me caça a praga da existência,

O Pensamento, que é um demônio, antes.

Mas os outros parecem transportar-se

De prazer e, o que eu deixo, apreciar;

Possam sempre sonhar com esses arroubos

E como acordo nunca despertar!

Por muitos climas o meu fado é ir-me,

Ir-se com um recordar amaldiçoado;

Meu consolo é saber que ocorra embora

O que ocorrer, o pior já me foi dado.

Qual foi esse pior? Não me perguntes,

Não pesquises por que é que consterno!

Sorri! não sofras risco em desvendar

O coração de um homem: dentro é o Inferno.

Por Douglas Cavalcante.

- Deitado em sua cama de madeira sobre um colchão surrado pelo tempo. Francisco – ou para a amigos muito íntimos como familiares, Seu Chico – dita a sua neta Jusceilia – .


Olá, querido amigo,

Quanto tempo não nos falamos.

Estava lembrando de você nesse filete de vida que me resta, dos momentos alegres que passamos lá atrás, em nossa infância.E, agora, andamos muito distantes, eu aqui na mesma terra da poeira avermelhada morando na mesma casa branca no interior, e você aí, perdido nessa Terra de Santa Cruz.

Já não sei se você se lembra dessa cidade, onde nos conhecemos numa ida ao colégio que aqui só restam as paredes de barro. Talvez você não se lembre do momento em que nos conhecemos – debaixo daquele Sol de meio-dia, aquele viradinho como merenda, onde eu só tinha um punhadinho de arroz com ovo que todo dia minha velha e santa mãe fazia, lamentava não ter e, quanto tinha colocava no fundo da minha bolsa alçada de trapos. Naquele dia, uns filhos de uma mulher mal-amada vieram e o jogaram no chão, pisoteando o meu almoço - foi uma dor tão grande me veio naquele momento. Um ódio tão grande desses moleques que não têm amor por nada.

Só de saber que aquele era meu viradinho daquela semana, me pus ao chão de tanto pranto, cego pelas lágrimas de uma dor sem explicação. Dai, você apareceu. Veio até mim com uma sombra tão grande que cobria toda aquela franzina criança. - um gesto lento e difícil de um abraço em si -.

Foi tu que me levantaste e dividiste a comida tua.

Foi tu que me secaste os olhos das lagrimas de tanto sofrimento.

Foi tu que me acolheste quando eu já não via-me com ninguém.

Dai, tu me levaste à professora que, com um sorriso, me levou até um caminhão de beira de estrada e me deu uma melancia tão grande e gostosa que meu pranto cessou, e fui tão alegre para casa com aquela fruta.

Então, foi ali que tudo começou …

Com o passar dos dias, eu sabia que agora estava tudo muito melhor. Eu tinha com quem contar, quem me apoiar. E então cresci com essa imensa felicidade. E com ela, minha família. Como o primeiro de dez filhos e de duas meninas, eu pude dar tanta ajuda a eles, pude ajudar mamãe a criar todos eles, e a papai no trabalho na roça daquele velho fazendeiro que morava lá depois do riachinho que tinha depois da mercearia. Mas os dias se passaram e você sumiu, e dai então minha felicidade foi-se junto, como a poeira vermelha do nosso chão. E bate-volta, me vem tu na cabeça, e dai eu sorrio tão feliz que  ninguém saberá que tive um amigo tão irmão que nem esse mundão de meu Deus pode apagar você do meu coração amargurado das dificuldades.

Hoje, não sou mais garoto, nem jovem, nem homem … Hoje estou deitado nesse leito, paralitico das pernas e dos braços, com a voz mais fraca que canto de passarinho novo. Eu falo isso pra minha neta mais nova, que hoje tem a idade que tínhamos quando nos conhecemos.

Minha vida foi boa por saber que eu conheci você e que hoje posso falar isso para todos da minha família..

- A voz está fina, o ar está faltando, meu coração está mais lento que tartaruga e logo é chegada a hora de ir te encontrar … -.

 

Meu Deus, obrigado por estar comigo nos momentos mais difíceis dessa vida.

Ultimo suspiro .

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