SpheraLiterária #45 : Eu – Simone Andreazzi

Nossa convidada, a escritora Simone Andreazzi, lançou no dia 08 de março mais um de seus textos numa publicação pela Editora InHouse, juntamente com outras magníficas mulheres, homenageando esta data tão importante.  A todas as mulheres, de almas fortes e guerreiras nosso grande abraço.

 

Eu

Já escrevi sobre mulheres nas minhas poesias e textos.
Porém hoje vou falar de uma em especial: EU.

Nasci no dia do Poeta,  20 de outubro de 1966. Um ano que se iniciou num sábado e terminou num sábado (talvez por isso que amo sábado). O ano que inventaram o biquíni de duas peças, que se inaugurou a UNICAMP (05/10/1966) e no ano do falecimento de Walt Disney.

Sou de uma família de quatro irmãs, sendo eu a 3ª filha. Todas nasceram em hospitais de Campinas e eu nasci numa casa, em Sumaré, interior do Estado de São Paulo, pelas mãos de uma parteira.
Nasci com muito cabelo. Bem pretinhos, com quase quatro quilos. A parteira me apelidou de “tijolinho”. Talvez por eu ser um bebezinho pesadinho e pequenininha.

Fui uma garotinha sempre risonha e falante. Gostava de fazer amizades e contar minhas histórias.
Até meus quatro anos eu vivi na cidade de Sumaré. Depois minha família mudou-se para Campinas e rapidamente me adaptei à vida da cidade grande.

Fiz lindas amizades, brinquei muito e minha infância se despediu de mim aos 10 anos, quando no natal de 1977, algo estranho apareceu na minha calcinha. Uma mancha de sangue! Era a menarca. Deixei de ser criança e passei a ser uma mocinha. Os joelhos ralados deram lugar a pernas torneadas e os peitos retinhos ganharam um formato lindo e sensual.

Aprendi a dançar, a tocar violão e a escrever sem parar. Com 15 anos escrevi meu primeiro romance que fez minha sala de magistério chorar com a saga dos meus personagens

Aprendi a beijar, me apaixonei por um príncipe e nunca parei de estudar.

Planejei minha vida como se planeja um sonho.
Realizei o curso de magistério, lecionei em escolas distantes. Aprendi com os alunos e juntos deles errei também. Dei cabeçadas por amar demais e nunca deixei de sonhar.

Sempre fui uma boa filhe e dedicada. Namorei direitinho. Muito bem comportada.
Aos 21 anos me casei. Toda de branco, com véu e grinalda. Repleta de planos futuros, formada há pouco tempo como professora e abarrotada de motivação e criatividade.

Aos 24 anos ganhei o maior presente que uma mulher imagina ganhar. Dei à luz a minha princesa, minha pedra preciosa, razão do meu viver.
Aos 28 anos ingressei na Universidade. Precisa continuar os meus estudos. O meu instinto me chamava. Cursei a Pedagogia nos quatro anos, dentro da PUC Central, um prédio tombado, hoje um dos Patrimônios Históricos da cidade de Campinas.

Regressei ao mercado de trabalho e viajei pelos quatro cantos do país formando alunos e educadores. Entre Bagé e Boa Vista, Caucaia e Rio Branco, Pantanal e Sertão. Sem medo de barco, balsa ou avião.

Conheci lugares distantes, culturas diferentes, linguajar enriquecido, pessoas encantadoras. Conheci o medo, o choro, a saudade e nunca perdi a esperança. Carreguei junto de mim o juízo e a vaidade.

Queria sempre aprender, pois novas surpresas a vida tinha a oferecer.
Um belo dia minha pele começou a mudar de cor e descobri um novo nome no meu vocabulário. Dizer que não ligo? Lógico que ligo. Ganhei uma doença chamada vitiligo.

Dizem que aparece do estresse, da vida louca, dos antepassados. Nãop se sabe ainda. Ela caminha comigo, conhece meus passos, meus caminhos entre voltas e vindas.

Hoje estou com 49 anos e continuo com a alma de menina, perdendo diariamente a cor da minha pele, deixando ir embora à melanina, Esperança eu sempre tenho, apesar dessa sina.
Como nos sonhos de criança, continuo sorrindo , tocando violão e escrevendo um montão. Amo ser mãe, amo ser educadora, amo minha família.

Agora tenho dois bichinhos peludos de quatro patas, que dão mais colorido a minha existência.
Vivo um dia de cada vez. Acredito em Deus meu Eterno Rei.

Sou mulher!
Sou libriana!
Sumareense!
Professora!

Mãe!
Esposa!
Filha!
Cuidadora!

Mulher de sorte?
Não!

Sou a Simone – apenas uma Mulher forte!