SpheraRetro #03 – Assassin’sCreed 3: A questão da maçonaria. (eX-SpheraPlay)

Por Ricardo Lopes,

Em Assassin’s Creed 2 e suas sequências envolvendo Ezio Auditore, muito foi revelado dos grandes antagonistas da franquia: os Cavaleiros Templários. Pequenas citações aqui e ali de outros períodos históricos, como a na Revolução Russa que deu origem às minisséries em quadrinhos A Queda e futura a ser lançada no Brasil The Chain. Assassin’s Creed Brotherhood e Revelations mostraram muito do renascimento no Século XX da Ordem dos Templários de seu momento frágil após as falhas dos romanos como a corporação multinacional Abstergo Industries. Porém, mesmo com o lançamento de Assassin’s Creed 3 tão próximo, muitas lacunas existem sobre o período de transição entre essas duas eras. Particularmente sobre o período histórico em que o novo game se passa abre uma grande questão envolvendo os vilões Templários e a sociedade da Maçonaria.

É bastante conhecida a noção de que a Maçonaria é uma recriação dos Cavaleiros Templários, com vários de seus ritos e filosofias encontrando paralelos com o cristianismo e com as figuras dos templários. Também é conhecido que os fundadores e 14 dos presidentes americanos eram maçons, incluindo figuras que aparecerão no game, como George Washington e Benjamin Franklin.

O esquadro e compasso, símbolo dos maçons livres .

A Ubisoft já afirmou que o foco da história é no conflito entre os assassinos e os templários e não na Revolução Americana propriamente dita, e é fato que dificilmente a Ubisoft faria um game aonde as mais icônicas figuras históricas americanas e a fundação do país chave para o mercado da indústria dos vídeo games fosse associada diretamente aos vilões da série. Dessa forma, uma interessante ambiguidade e aura de mistério se formam com os vilões e personagens da franquia novamente, como foi no primeiro game.

A conexão entre os templários e a maçonaria: Historicamente é conhecido que a maçonaria teve sua origem em 1717, com a fundação da Grande Loja de Londres, fato amparado por farta documentação. No entanto, como dito anteriormente, essa irmandade possui conceitos, ritos e tradições que antecedem sua existência, o que leva a eras passadas e algumas lendas.

A Cruz símbolo dos templários.

Uma das mais conhecidas influências na origem da Maçonaria, foi a construção do Templo de Salomão. Na época das Cruzadas, os templários tiveram em seu poder o espaço cedido pelo Rei Balduíno II da mesquita de Al Aqsa, onde era acreditado ter sido construído o Templo de Salomão. Os templários investigando este espaço descobriram vários segredos, dando origem a algumas lendas conhecidas. Esses segredos constituem alguns icônicos símbolos religiosos como a Vera Cruz, o Santo Graal, a Arca da Aliança e ossegredos da construção do templo. Este conhecimento seriam princípios herdado pelos maçons, descendentes dos construtores do templo, os quais usaram para adquirir sua influência. O rito principal de iniciação maçom passado é a reconstituição do assassinato do arquiteto do Templo de Salomão Hiram-Abif, o qual morreu para proteger os segredos da construção do templo.

Insígnia dos Assassinos.

No primeiro Assassin’sCreed, logo na primeira fase do game, Altair invade o Templo de Salomão atrás do tesouro dos templários. Na câmara principal ele achou o vilão Grão Mestre dos Templários Robert de Sable a ponto de pegar de uma então chamada Arca Aliança – a qual Altair já desmitifica por ser um mito – contendo um Pedaço do Eden, depois descoberta como uma Maçã do Eden, a qual é entregue ao mentor Al Mualim por Malik, desencadeando toda a trama do game.

Em 1307, o Rei Felipe IV da França prendeu os líderes dos Cavaleiros Templários e tomou posse de seus bens. Durante esta repressão o Grande Mestre dos Templários Jacques de Molay foi queimado em fogueira. Segundo a mitologia de Assassin’sCreed, antes da sua morte ele confiou os antigos segredos da Ordem a seus nove discípulos mais confiáveis com instruções de espalhar sua influência no mundo. Alguns historiadores especulam que eles ficaram ocultos até ressurgirem nos 1700s como os maçons livres.

Na Revolução Americana:Figuras proeminentes na irmandade secreta maçom durante a Revolução Americana incluem George Washington, Benjamin Franklin, John Hancock, Joseph Warren, e Paul Revere.

Connor cavalgando ao lado de George Washington.

Em imagens e informações de divulgação do game, é dito que o protagonista Connor Kenway associa-se a ambos George Washington (que segundo informações vistas em Assassin’sCreed 2, eventualmente tem uma Maçã do Eden em seu poder) e Benjamin Franklin, o que poderia implicar numa aliança entre os revolucionários com os assassinos, o que faz esta versão da história da Maçonaria muito confusa até o momento e não é possível ter uma posição desta quanto ao conflito entre os Assassinos e os Templários, ainda mais pela óbvia semelhança entre a insígnia dos assassinos e da Maçonaria. O mais provável é que a conexão mais forte venha por um personagem que incorpore a ambiguidade, obsessão por um ideal próprio fora do conflito e que não necessariamente tome partido por nenhum dos lados da guerra. Esse personagem talvez seja Charles Lee.

Charles Lee em Assassin’sCreed3

Charles Lee foi um soldado britânico que serviu como general no exército continental durante a Revolução Americana. Muitos políticos acreditavam que ele seria uma escolha muito melhor do que Washington para liderar o exército Americano, mas Lee exigiu dinheiro pelo cargo, além de se recusar a desistir de suas terras britânicas.

Historicamente, durante a guerra, Lee se casou com uma filha de um chefe moicano e deu origem à gêmeos. Poderia Connor ser filho de Lee? A lealdade nacional de Lee é pouco clara já que além dele ter tomado o lado dos colonos durante a guerra,sempre se especulou a possibilidade de ele ter dividido segredos com os britânicos durante seu rapto. Além disso, a forte oposição à liderança de George Washington talvez fosse motivada por diferentes ideais de um bem maior para o Novo Mundo e diferentes planos para a guerra. A Ubisoft certamente poderia preencher essas lacunas com sua ficção e fazer dele um Templário e parte da Maçonaria Americana.

Para terminar, a Ubisoft já mencionou que apesar de algumas semelhanças apontadas, eles não seguirão a linha de ficção dos templários e maçons de Dan Brown em Assassin’sCreed3, e que “temos uma descrição muito precisa dos maçons no nosso jogo, e isso é tudo que eu posso dizer”, diz o principal escritor do game Corey May.

Assassin’s Creed 3 tem data de lançamento para 30/10 nas plataformas Xbox 360 e  Playstation 3. A versão PC não tem data definida mas a Ubisoft garantiu que será lançado até do Natal. Existe também uma versão para WiiU a caminho mas sem data definida.