[ST] U2 – The Joshua Tree 30 Anos (22/Out/17 – Domingo)

Nota: se você ainda vai no show de quarta feira (25/Outubro) e não quer estragar algumas surpresas que podem, ou devem, se repetir sugiro parar agora e voltar na quinta…
Em primeiro lugar, e para tirar essa do caminho, o U2 é o U2. Não é a toa que deve ser a maior banda dos anos 80, ou posterior, em atividade.  Talvez a única dessa época capaz de fazer frente aos grandes nomes de antes dessa como Paul McCartney, Rolling Stones, Roger Waters ou David Gilmour entre outros.  Uma das últimas bandas pós-80 destinadas a acabar com a hegemonia do U2 se tornou banda de abertura… Mas aqui me antecipo.
Primeiro vamos a escolha do lugar e chegada no evento. Nem lembro qual foi a última vez que algo assim foi marcado no Morumbi.  A impressão que eu tenho é que todos migraram para o Allianz Park, e por um bom motivo. A Arena foi projetada para isso, a logística de chegada por transporte público ou de estacionamento é melhor pensada. A infraestrutura da entrada aos banheiros é mais moderna e eficaz. Voltar ao Morumbi depois de todo esse tempo variou da aventura a frustração.  Conseguimos vencer o trânsito, estacionamento e longa fila no momento que Noel Gallagher’s High Flying Birds subia ao palco.  Com uma apresentação de quase uma hora de duração o ex-Oasis tocou o primeiro single de seu próximo disco, ainda não lançado, cinco músicas já conhecidas da banda (que não animaram e provaram não ser tão conhecidas ou boas assim) e cinco músicas do Oasis, essas foram responsáveis por animar o público que sofria como a chuva leve e intermitente.  Os destaques certamente ficaram por conta de Champagne Supernova, Wonderwall e Don’t Look Back in Anger que já era muito conhecida e ganhou ainda mais relevância após o atentado de Manchester.  Wonderwall foi a que mais gostei pela corajosa decisão de retrabalhar o arranjo de maneira que ela era familiar, mas ainda assim diferente.  O show foi encerrada por AKA… What a Life dedicada ao atacante brasileiro Gabriel Jesus do Manchester City, time do qual o vocalista é torcedor.
Bom show. Bem melhor que a média das bandas de abertura por aí, mas eu pensaria duas vezes antes de sair entrando em polêmica falando mal de sua ex banda com o irmão por que é ela que está garantindo o repertório.
Após pouco mais de meia hora de espera as luzes se apagam para uma entrada matadora. Explico, quando tocava com uns amigos a gente tinha a teoria de que para abrir um show de maneira matadora você devia entrar com a música mais impactante possível. Sem falar boa noite, agradecer ou dar explicações. Tudo isso pode ser feito depois que você garantiu a atenção do público.  U2 provou que a teoria é válida. Nesta noite de domingo a banda entra lembrando um outro Domingo muito mais complicado. Sunday Bloody Sunday captura corações e mentes de todos os presentes e New Year’s Day não deixa nenhum desses corações e mentes fugir.  Tocando essa primeira sequência sem o auxílio do telão, e em um palco pequeno a banda se mostra unida e consistente.  Esse trecho do show segue com Bad e próximo ao seu final Bono conta que a banda esteve com o Paul McCartney, também em turnê no Brasil, e conversaram um pouco. Em meio a essa conversa lembraram do John Lennon e também dos outros Beatles.  Nisso a música se transforma em Rain do quarteto de Liverpool e pela primeira vez, mas certamente não a última, celulares em mãos substituem os isqueiros de outrora, iluminando o estádio.  Pride, remetendo ao discurso de Martin Luther King, encerra esse primeiro bloco com excelência.
O segundo bloco segue para o gigantesco palco principal.  Com um telão enorme em altíssima resolução, contava com aproximadamente 60 metros de comprimento e 14 metros de altura.  Esse bloco  contempla o lado A (alguém lembra como isso funcionava?) do aniversariante The Joshua Tree. Esse álbum s mantém o rumo traçado pelo anterior (The Unforgettable Fire) mergulhando nas raízes da música americana.  Esse lado confirma a partida fácil que era esperada. Composto quase exclusivamente por hits esse bloco empolga o público que não pára por um momento enquanto se acumulam Where the Street Have No Name, I Still Haven’t Found What I’m Looking For, With or Without You e Bullet the Blue Sky. A última canção do bloco, Running to Stand Still, segura a atenção do público sendo uma linda balada. Os celulares voltam a iluminar o estádio e a galera vibra quando Bono puxa uma gaita para fazer um trecho no instrumento.
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Sem qualquer pausa seguimos claramente para um terceiro bloco, menos animado da apresentação. Por conta da proposta do show de apresentar o disco na íntegra e na ordem, esse bloco vai reduzindo o engajamento do público por contar somente com músicas que, apesar de excelentes, são muito menos conhecidas. Red Hill Mining Town é a primeira música do lado B e um bom exemplo do que estou falando.  The Edge larga a guitarra e abraça o teclado em uma música visivelmente mais experimental.  Nas arquibancadas, o público que permanecia desde o início do show de pé, cantando e dançando, rapidamente vai se sentando até restar uma parte muito pequena do público ainda animado.
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Ao fim do Lado B uma breve pausa nos leva ao primeiro bis e temos, de uma só vez, todos novamente de pé para Beautiful Day com a inclusão de um trecho da versão em inglês de Garota de Ipanema. Elevation segue a festa antecedendo Vertigo e dá uma rápida passada por Rebel Rebel do Bowie.
Na reta final do segundo bis, uma surpresa.  Ausente dos setlists anteriores no país, a banda volta ao palco com Misterious Ways.  Bono convida uma garota da platéia que segue o roteiro de outras execuções dessa música dançando de maneira insinuante para o cantor.  Até uma hora que ela não está mais e deixa o cantor para trás seguindo na direção do guitarrista, mas depois de uma rápida interação volta ao cantor.  O bloco segue com o primeiro single do próximo álbum, You’re the Best Thing About Me, que tem conseguido boa visibilidade pela qualidade.  O pop vigoroso dessa música consegue manter a animação do público que já via o final do show se aproximando.  Após um breve discurso em homenagem às mulheres começando pelas esposas da banda, filhas, integrantes da equipe e as mulheres na plateia que, segundo suas palavras eles sentem como se as conhecesse o show continua com Ultra violet ( Light my Way).  No telão a imagem de diversas mulheres relevantes na luta pelos direitos das minorias e conquista do espaço na sociedade pelas mulheres se sucediam.  Chegamos ao fim do Show com One enquanto uma enorme bandeira brasileira se formava no telão.
Ao fim do show a confusão que sempre foi para deixar o Estádio está formada  Levamos quase duas horas para voltar a nos mover normalmente, mas com a alma lavada por um show memorável.
Por hoje é isso e a qualquer hora aparece mais música para vocês aqui no Sphera.
Enquanto isso, não saiam do tom
Rodrigo Fernandes