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[SC] Lançamento do Longa Your Name (Kimi no na wa)

Ohayo,

Enfim a animação japonesa mais assistida no mundo está estreando no Brasil pela rede cinemark.

Vale salientar outras vitórias do filme como: a maior bilheteria da história e foi eleito o Melhor Filme de Animação em 2016 pela Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles.

Sinopse

Mitsuha Miyamizu (Mone Kamishiraishi) é uma jovem que mora no interior do Japão e que deseja deixar sua pequena cidade para trás para tentar a sorte em Tóquio. Enquanto isso, Taki Tachibana (Ryûnosuke Kamiki), um jovem que trabalha em um restaurante italiano em Tóquio, deseja largar o seu emprego para tentar se tornar um arquiteto. Os dois não se conhecem, mas estão direta e misteriosamente conectados pelas imagens de seus sonhos.

Cinema

[SC] Lançamentos de Cinema – 21/09/2017

Temas variados vieram para rechear esta semana nos lançamentos de cinema. Confira a lista!

 

Divórcio (Pedro Amorim, Brasil)

O Assassino – O Primeiro Alvo (American Assassin, Michael Cuesta, EUA)

Mãe! (Mother!, Darren Aronofsky, EUA)

Esta é a Sua Morte (This is your death, Giancarlo Esposito, EUA)

Rodin (Jacques Doillon, França, Bélgica)

Pendular (Julia Murat, Brasil)        

En attendant les hirondelles (Karim Moussaoui, Argélia, França, Alemanha)

Sono Mortal (Dead awake, Phillip Guzman, EUA)

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[SL] Vídeo Resenha: Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial

Organizado por Ethel Johnston Phelps, o livro Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos feministas do folclore Mundial nos traz um apanhado de histórias contadas pelo mundo, que aqui estão adaptadas e recontadas com uma pitada mais feminista sobre estás histórias. Com prefácio de Gayle Forman, enveredamos por caminhos nunca antes descritos sobre a coragem e o amor das mulheres.

Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial

Editora Seguinte

Ano: 2016  –  1º Edição

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[SC] Marvel – Os Defensores by Netflix

Netflix exibiu o primeiro episódio de Os Defensores no encerramento da sexta-feira (21) na San Diego Comic-Con.

Depois de revelar as primeiras cenas da série do JusticeiroJeph Loeb, chefão da Marvel TV, chamou o elenco inteiro do crossover dos heróis urbanos e anunciou a exibição do episódio para o delírio dos fãs que estavam no Hall H. Foram aproximadamente 45 minutos de uma montagem que relembra a situação de cada personagem e que apresenta a vilã Alexandra, vivida por Sigourney Weaver.

Poucas lutas, alguns pesadelos e meia dúzia de piadas permeiam o episódio que constrói uma ameaça muito maior do que estamos acostumados a ver nas séries da Casa das Ideias.

Tudo começa com uma luta entre Punho de Ferro e alguma ninja misteriosa. Nas sombras de um esgoto, ele batalha contra essa figura e acaba descobrindo que o Tentáculo está em Nova York e planeja algo muito grande para a cidade. A cena lembra os piores momentos da série de Danny Rand, tanto pelos diálogos quanto pela coreografia, e não se mostrou uma escolha muito sensata para iniciar Os Defensores. A má impressão vai embora quando os outros heróis começam a aparecer.

As sequências com Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage mostram que a fotografia da série, em um primeiro momento, vai diferenciar os heróis pelas cores. Demolidor está nas sombras e sempre com algum toque vermelho por perto; Jessica anda pelas ruas com luzes azuis e roxas por todos os cantos; e Cage continua com o tom amarelo e seguido pelo hip hop do Harlem. Rand segue como o mais inocente, mas é a ligação principal do grupo com o Tentáculo, que será o inimigo do grupo.

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A trama é apresentada de forma rápida, sem enrolação e até algumas coincidências jogadas de forma exagerada. O didatismo dos diálogos segue como característica primordial da série, assim como em Punho de Ferro e Luke Cage. A intenção é claramente montar um cenário que consiga reunir os heróis em torno de Alexandra, a misteriosa vilã interpretada por Weaver. Ela trata Madame Gao, até aqui uma das figuras maléficas mais importantes desse universo, como um simples lacaio.

Em pouco menos de uma hora, a Marvel consegue explicar a atual situação dos Defensores e mostra que Elektra, a arma viva de Alexandra, será ponto essencial na história. Como forma de apresentar a trama, o primeiro episódio funciona bem e mantém as características das séries anteriores, do estilo de roteiro até a fotografia. E se nas primeiras cenas os diálogos e sequêncis de luta ainda se parecem demais com o que vimos no fraco Punho de Ferro, há esperança com o que foi mostrado no último trailer. A Netflix acertou antes e deixa pistas de que pode acertar de novo em Os Defensores.

A série chegou ao serviço de streaming em 18 de agosto.

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[SC] “Bingo – O Rei das Manhãs” não é filme para crianças…

Quando Daniel Rezende decidiu que faria da história de Arlindo Barreto – um dos primeiros e mais escandalosos atores a incorporarem o palhaço Bozo na televisão brasileira – seu primeiro longa como diretor, ele sabia que teria uma missão quase pioneira: mostrar a cultura pop nacional como ela realmente é, ou como foi nos loucos e incontroláveis anos 80.

Rezende tem intimidade com o tema: ele é um dos responsáveis pela fase mais pop do cinema nacional, tendo trabalhado como montador em “Cidade de Deus”, nos dois “Tropa de Elite” e também em “Ensaio Sobre a Cegueira” e “RoboCop”, ambos produzidos nos Estados Unidos, mas dirigidos por brasileiros.

Em “Bingo – O Rei das Manhãs”, o montador deixou de lado a mesa de edição e decidiu confiar a tesoura às mãos de Márcio Hashimoto (“Faroeste Caboclo” e “O Rastro”), na certeza de que o cinema não é trabalho de um homem só. “Como montador, sempre gostei do que eu pude proporcionar para os filmes, de poder trazer um olhar fresco, poder contestar o diretor e poder trazer uma outra visão. Então eu não queria perder isso, e foi muito prazeroso para mim poder olhar o material sendo transformado por outra pessoa”, explica, orgulhoso do resultado final.

Rezende, então, concentrou suas energias em contar essa história, tão nossa e tão escondida debaixo do tapete, como se o povo e os cineastas tivessem vergonha de coisas como Bozo, Xuxa e Conga Conga Conga. “Acho que o nosso cinema olha pouco para a nossa cultura pop. A gente olha para os nossos problemas sociais, a gente olha para as nossas culturas regionais… Mas a nossa cultura pop a gente não explora tanto”, pondera, lado a lado com um pôster estampado com Emanuelle Araújo no vestido curtíssimo e cor-de-rosa de Gretchen, descendo até o chão.

A cantora, aliás, é a única figura histórica que teve seu nome mantido no filme. Arlindo virou Augusto, Márcia (a mãe) virou Marta, Xuxa virou Lulu (ou algo assim) e até as redes de televisão tiveram seus nomes ligeiramente alterados. Ainda bem, porque as alfinetadas são distribuídas sem moderação e os processos, logo começariam a se empilhar.

O filme acompanha a trajetória do ator, de estrela pornô a apresentador do programa infantil, quando a marca internacional “Bingo” estava sendo trazida para o Brasil. Apesar do sucesso na TV, o artista foi proibido por contrato de revelar sua identidade em público e esse anonimato quase o levou à loucura.

Vladimir Brichta é quem veste o nariz vermelho e a peruca azul. Segunda opção para Rezende, depois da desistência de Wagner Moura por conflito de agendas, Brichta se mostra, depois de poucos minutos, a única opção possível. Sua pinta de galã ajuda a dar credibilidade ao lado mulherengo e “vida louca” do personagem, enquanto sua experiência com humor faz doer o estômago de tanto rir. Mas é no drama que o artista mostra a sua cara e, entre uma piada suja no palco infantil e uma ordem de restrição sobre o filho longe dali, o público devora as unhas e sente cada pontada no coração do palhaço-homem.

Para o ator, o objetivo era esse: mostrar as contradições de um palhaço, figura de extremos que personifica nossas emoções. “Não é só sobre um ‘palhaço triste’…”, reflete, tentando encontrar a imagem perfeita… “É um pouco por quê que o Robin Williams se matou.” – e encontra. “Essa pergunta afeta todo mundo, é um cara que faz a alegria das pessoas, mas tem um lado tão sofrido, tão desajustado… Acho que o palhaço, aquela boca, aqueles olhos, são lente de aumento sobre isso. É um aumento daquela alegria, mas parece que, na mesma proporção, também é um aumento da tristeza, da inquietação, da amargura, da incompreensão… E isso é humano, é de todos nós.”

Quem ajudou a encontrar esse palhaço, no ator e nas telas, foi a dupla Domingos Montagner e Fernando Sampaio, artistas circenses desde os anos 90 e referências no humor de picadeiro. Este será o último trabalho de Montagner a ser mostrado ao público nos cinemas, após sua morte acidental há quase exatamente um ano, durante as gravações de uma telenovela. O ator tem uma curta participação no filme como um palhaço mais experiente, que se torna mentor do protagonista.

Ambos participaram do desenvolvimento do roteiro como consultores e também estiveram presentes na preparação do personagem, ajudando Brichta, segundo ele, a “se aceitar” como palhaço – ele que sempre teve o instinto para a comédia, mas não se considerava digno do título. E agora?, lhe perguntam, ao que hesita só um pouco e responde, aliviado: “Agora, posso dizer que sou um palhaço”.

Pois o palhaço Bingo e sua história quase real chegam aos cinemas no 24 de agosto. E, não custa avisar, não é um filme para crianças. 

Fonte: Guia da Semana

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[SL] No centenário de morte, primeira autora negra do Brasil ganha reedição

Em 2017 completa-se o centenário da morte da primeira escritora negra do Brasil e primeira autora de romance abolicionista em toda a língua portuguesa. Maria Firmina dos Reis publicou Úrsula em 1859, livro que estava fora de catálogo, mas em setembro desse ano ganha nova edição pela PUC Minas. Eduardo de Assis Duarte, pesquisador da literatura afro-brasileira, autor de livros sobre o tema e doutor em letras, assina o posfácio e escreve sobre a contextualização histórica da obra no conjunto de escritos de escravizados no Ocidente.

Filha de mãe branca e pai negro, provavelmente escravo, Firmina adquiriu, dentro das possibilidades, referências culturais e o domínio da norma culta através da família da mãe, composta de músicos e um primo estudioso. É possível que tal fato proporcionou que escrevesse músicas, sendo a primeira mulher aprovada num concurso público para o magistério em sua terra natal, o Maranhão, e também para que fundasse, mais tarde, a primeira escola mista – com alunos brancos e negros – e gratuita do estado, algo inovador naquele tempo.

Ainda que muito importante, Firmina é pouco citada e conhecida. De acordo com Duarte, no posfácio de uma edição de Úrsula de 2004, os elementos determinantes para o silenciamento foram a ausência de assinatura, a indicação de autoria feminina, a distante localização geográfica e o tratamento inovador dado ao tema da escravidão. Ao contar a história de Úrsula, protagonista branca; Túlio, escravo que se torna livre; Tancredo, que se apaixona por Úrsula; Fernando, o grande vilão; e Susana, que narra suas vivências antes de ter sido trazida como escrava, Firmina busca humanizar o negro através da valorização da memória, algo pouco comum na época. Diferente dela, “os autores defendiam a abolição por que a escravidão corrompia a família branca brasileira, como acontece em As Vítimas-Algozes (1869), de Joaquim Manuel de Macedo e A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães”, explica Duarte.

Apesar da excelente escrita, Firmina omitiu seu nome assinando as obras como “Uma Maranhense”. No prólogo, ainda diz: “Mesquinho e humilde livro é este que vos apresento, leitor”, falando logo em seguida que o mesmo não tem valor por ser de uma mulher. Antigamente, era comum esse “recato literário”, pois a escrita não costumava ser feita por mulheres. “Evidências confirmam que escritoras do século 19 e primeiras décadas do século 20, na produção hispano-americana, apresentaram-se com uma escrita ‘menor’ como estratégia de veiculação e aceitação de suas obras”, explica Luciana Martins Diogo, mestra em Culturas e Identidades Brasileiras pela USP.

Embora existisse o “recato”, Firmina não só publicou como antecedeu diversas questões atuais. Para o professor Duarte, “a autora maranhense, pela primeira vez, constrói a crítica do patriarcado escravista do duplo ponto de vista da vítima, mulher e negra”. Para Luciana, um dos grandes legados da obra firminiana foram “seus questionamentos em relação ao lugar e ao papel da mulher na sociedade”, algo que se percebe, por exemplo, quando a protagonista diz: “Nunca pude dedicar a meu pai amor filial que rivalizasse com aquele que sentia por minha mãe, e sabeis por quê? É que entre ele e sua esposa estava colocado o mais despótico poder: meu pai era o tirano de sua mulher, e ela, triste vítima, chorava em silêncio.”

Em questão histórica, Firmina, no entanto, não foi quem inaugurou a literatura afro-brasileira. Segundo Luciana, essa literatura pode ser entendida como uma interação dinâmica de cinco componentes: temática, autoria, ponto de vista, linguagem e público. Já para Oswaldo de Camargo, jornalista, estudioso da literatura negra e autor dos livros O Negro Escrito, A Descoberta do Frio (ficção) e Carro do Êxito (contos), é fundamental que “o escritor negro se veja como negro, tire as consequências e escreva seu texto. Por isso que um branco não pode fazer literatura negra.” Maria Nilda de Carvalho Mota, a Dinha, poeta e doutoranda de estudos comparados nas letras, que atua nos campos de literatura afro-brasileira e africana, no entanto, acha que é possível, teoricamente, escrever da perspectiva de um negro, mas diz que não tem encontrado. “Noto que as pessoas que não vivem na pele tendem a ser sensacionalistas porque passou pelo estômago, que é a indignação, mas tem que passar pelo coração e pela cabeça.”

Assim, para entender como a história da literatura negra se desenvolveu, é preciso voltar antes mesmo de Firmina. O negro apareceu primeiramente nos poemas (que antecedem os romances na maior parte das literaturas). Oswaldo explica que o primeiro escritor mulato que vai dar “relances de uma literatura voltada para a questão racial” é Domingos Caldas Barbosa, com o livro Viola de Lereno. Oswaldo cita o verso em que se lê: “Ai Céu! / Ela é minha iaiá / O seu moleque sou eu.”

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“Manuel Bandeira fala que nossa poesia vai começar com Domingos Barbosa, porque sua linguagem usa pela primeira vez palavras brasileiras. Quando ele fala moleque, isso tem uma conotação, porque moleque era sempre preto. Muito tenuamente, está insinuando também uma condição racial.” Mas, segundo Oswaldo, o primeiro autor que usa o eu negro para escrever foi Luiz Gama, com o livro Primeiras Trovas de Getulino, de 1859. Um dos poemas, conhecido como Bodarrada, diz: “Se negro sou, ou sou bode, / pouco importa. O que isso pode? / Bodes há de toda a casta, / pois que a espécie é muito vasta…”

Ou seja, no mesmo ano em que Gama torna-se o primeiro negro a se dizer como tal em São Paulo, Maria Firmina, anonimamente, torna-se a primeira mulher a fazer literatura negra no Maranhão. “Bode quer dizer mulato. Então é um passo grande entre Caldas Barbosa e Luiz Gama, que vai responder à sociedade da Pauliceia mostrando que nossa sociedade está cheia de bodes, mas todos tentando esconder a sua parte negra. Alguns conseguiram”, explica Oswaldo.

Para o escritor e estudioso, não é à toa que o negro não costumava ser visto ou citado sequer pelos mulatos. “A primeira coisa que um pardo ou mulato fazia era passar a linha de cor porque ser negro era sinônimo de escravo. A partir daí há um embranquecimento social muito sério. Então, o próprio branco, quando uma pessoa escura ascendia, queria tirá-lo do rol de pessoas negras.” Não é à toa que até hoje o rosto verdadeiro de Maria Firmina é desconhecido. O branqueamento da imagem foi sendo construído ao longo desses anos com base em um equívoco. Um retrato existente na Câmara dos Vereadores de Guimarães foi inspirado na imagem de uma escritora branca gaúcha, que acreditava-se ser Firmina. O busto que está no Museu Histórico do Maranhão também reproduz a imagem de uma branca.

Apesar das tentativas de se ocultar o negro da história, muitos outros nomes surgiram, como o mulato Francisco de Paula Brito, o primeiro editor do Brasil. Considerado um dos precursores do conto, além disso, editou O Filho do Pescador (1843), primeiro romance do País, escrito pelo mulato Antônio Gonçalves Teixeira e Souza. Outros nomes são Cruz e Souza, filho de ex-escravos e que fez literatura negra; Lima Barreto, que se assume como mulato e é o homenageado da Flip em 2017; Lino Guedes, que é o primeiro autor negro a escrever mirando o público da mesma cor; isso sem citar Machado de Assis e Mário de Andrade. Paralelamente a eles, outros escritores surgem colocando o negro em suas obras, nem sempre de modo positivo.

Segundo estudos da pesquisadora Maria Nazareth Soares Fonseca (2011), os negros na literatura, quando vistos como objeto, podem ser agrupados do seguinte modo: escravos e ex-escravos, como em Gregório de Matos (século 17); branqueamento, como em O Mulato (1881), de Aluísio de Azevedo; vítima, como em O Navio Negreiro (1869), de Castro Alves; negro ruim, como em Bom-Crioulo (1895), de Adolfo Caminha; negro como depravado, em A Carne (1888), de Júlio Ribeiro; negro como inferioridade, como em O Demônio Familiar (1857), de José de Alencar.

A partir de 1870, o negro é tema constante na pena de quase todos os poetas do Brasil e, desde o início da década de 1980, há um aumento da produção de escritores que “vinculam a noção de sujeito à de etnia afrodescendente”, como explica Duarte. Com a primeira edição de Cadernos Negros, em 25 de novembro de 1978, pelo grupo Quilombhoje, que proporcionou a autores negros a possibilidade de terem textos publicados, de preferência com a temática negra, as mulheres finalmente voltam a aparecer. “Os escritores e escritoras negras existiam, mas não tinham meios de publicar”, informa Maria Nilda. A iniciativa ainda existe e já revelou diversos autores e autoras consagradas, como Conceição Evaristo, que publicou seu primeiro poema em uma edição dos Cadernos e hoje é uma das principais expoentes da literatura afro-brasileira.

Outros nomes atuais ou recentes na nossa literatura são Carolina Maria de Jesus,que publicou Quarto de Despejo (1960), um diário em que registrava o dia a dia como catadora de latas na favela do Canindé, em São Paulo; Joel Rufino dos Santos, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura; Ana Maria Gonçalves, com Um Defeito de Cor, Prêmio Casa de las Américas de 2007; e Cuti (Luiz Silva), com mais de 20 títulos publicados abrangendo poesia, contos, dramaturgia e crítica. Para Maria Nilda, que também escreve “a gente é mais comercializável do que no passado. Mas ainda falta muito, né?”

Para termos uma dimensão melhor dos tempos atuais, há a pesquisa de Regina Dalcastagnè, presente no livro Literatura Brasileira Contemporânea: Um Território Contestado (2012), que analisou 258 romances publicados no período de 1990 a 2004 pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. De acordo com os dados, no romance brasileiro atual, apenas 7,9% das personagens são negras. Desse pequeno universo, 20,4% são bandidos, 12,2% empregados e 9,2% são escravos. Entre as causas de morte, 61,1% das personagens negras são assassinadas pelos escritores em seus romances, enquanto apenas 28,1% das personagens brancas são vítimas de assassinatos.

Para Oswaldo, a dificuldade do autor negro hoje em dia é apostar em uma temática que não é conhecida. “O importante não é, de fato, ser lembrado como um grande autor. Não são citados tanto agora? Não importa. O benefício que estão fazendo com seus textos, não dá para mensurar. A literatura não é feita só com grandes autores, é feita com arroz e feijão também.” Já para Maria Nilda, a literatura atual vive um momento “revolucionário”, que está mudando as formas, linguagens, conteúdos e sujeitos. “Escritoras novas são impulsionadas pelas mais velhas, mas a gente também as promove. É dialético esse movimento. Elas nos dão referência e a gente lhes dá sustentabilidade.”

Assim, cem anos depois da morte de Firmina, a situação mudou, mas a voz da escritora e de tantos outros que vieram depois ainda ecoa em um país que pouco conhece a história e a cor de seus escritores e escritoras do passado e presente. Como diria Firmina em seu livro: “Quando calará no peito do homem a tua sublime máxima – ama a teu próximo como a ti mesmo – e deixará de oprimir com tão repreensível injustiça ao seu semelhante!… Aquele que também era livre no seu país… Aquele que é seu irmão?”

Fonte: Estadão

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[SC] Atypical – Nova série da Netflix

Consegui completar minha maratona de séries e Atypical foi minha melhor descoberta. Não tenho especializações sobre educação especial, ou mesmo grandes experiências fora dos portões da Universidade ou dos muros de uma biblioteca. Meu olhar ao falar sobre a série é de uma espectadora comum, que por acaso da vida se aventurou nos rumos da pedagogia e que deseja  aprender mais e mais sempre.

Temas polêmicos tem sido o foco da gigante Netflix ultimamente como suicídio na adolescência com 13 Reasons Why, e uma gama de novos materiais em documentários e filmes sobre violência doméstica, bullying entre outros. Agora, a Netflix volta sua atenção novamente o universo jovem.

Estreiou em 11/8 Atypical, série com oito episódios de 30 minutos, que fala sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA), cujo principal sintoma é a dificuldade de comunicação e interação. No centro da trama está um estudante com certo grau desse distúrbio. Ele quer arrumar uma namorada e ter uma vida social mais organizada, sempre estimulado por sua terapeuta que foca em prepará-lo para o cotidiano da vida. Estratégia que, com leveza, joga luz sobre o preconceito sobre o Espectro Autista.

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O protagonista Sam (Keir Gilchrist), 18 anos, tenta transpor as dificuldades do autismo e, ainda, lidar com a transição para a vida adulta. Vive com a mãe, Elsa (Jennifer Jason Leigh); o pai, Doug (Michael Rapaport) e a irmã, a também adolescente Casey (Brigette Lundy-Paine), em um confortável lar norte-americano. Frequenta o colégio, onde tenta flertar, mas sem levar o menor jeito. Em dado momento, desabafa com os amigos:

– Às vezes, eu queria ser normal. 

Um deles prontamente rebate: 

– Cara, ninguém é normal. 

Está aí outro tema importante que permeia a série e abarca os principais personagens da história: o que significa ser normal? E digo ainda mais: será que a série não deveria trazer personagens que apresentem também outros graus de TEA? Como escrito acima, o personagem vive num confortável lar americano, com pais aparentemente focados e esclarecidos sobre o assunto..Mas e quanto as outras dificuldades comuns vivenciadas pelas famílias? O que fazer?

Novamente um tema importantíssimo sendo abordado de modo superficial…
O protagonista bate ponto no consultório da terapeuta Julia (Amy Okuda). A profissional defende que seu paciente, assim como todos os seres humanos, só quer ser amado e pretende ensinar-lhe estratégias de paquera. A mãe, superprotetora, não aprova:

– E você vai ensinar uma estratégia para curar um coração partido?

O despertar do amadurecimento de Sam promove um verdadeiro rebuliço na família, a começar por Elsa. Até então vivendo muito em função dele, a mãe precisa encontrar um novo significado para a própria existência assim que o jovem começa a evoluir. Então, como Sam, ela embarca em uma jornada de autoconhecimento.

A nova atração do catálogo da Netflix é produzida pela Sony Pictures Television. Tem história e roteiro de Robia Rashid (da festejada How I Met Your Mother). Rashid, Seth Gordon e Mary Rohlich são os produtores-executivos junto com a atriz Jennifer Jason Leigh.

Fonte:ZHora

Cinema

[SC] Lançamentos de Cinema – 24/08/2017

Corre porque esta semana promete!!!

Doidas e Santas (Paulo Thiago, Brasil)

Bingo – O rei das manhãs (Daniel Rezende, Brasil)  +18 anos

A Torre Negra (The dark tower, Nikolaj Arcel, EUA)

Mimosas (Oliver Laxe, França, Marrocos, Espanha)

Um Filme de Cinema (Walter Carvalho, Brasil)

All Saints (Steve Gomer, EUA)

Bye bye Alemanha (Es war einmal in Deutschland, Sam Garbarski, Alemanha)

Na Mira do Atirador (The Wall, Doug Liman, EUA)

Shivá – Uma Semana e Um Dia (Shavua ve yom, Asaph Polonsky, Israel)

O Castelo de Vidro (The glass castle, Destin Cretton, EUA)

Amor, Paris e Cinema (Paris, Love Cut, Arnaud Viard, França)

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[SL] Dobradinha Literária: O Ladrão de Casaca | Maurice Leblanc

Snapchat: aritadepaula

Email: aritadepaula@gmail.com

 

Sinopse: Um dos maiores clássicos da literatura policial e de aventura numa luxuosa edição e com tradução impecável. Brilhante, audacioso, sedutor, mestre do disfarce e do jiu-jítsu, Arsène Lupin é a irônica resposta francesa a Sherlock Holmes: um ladrão refinado e anarquista, espécie de Robin Hood da Belle Époque. Nas nove histórias que compõem essas primeiras aventuras, o irresistível anti-herói atormenta seus oponentes, zomba das convenções estabelecidas, ridiculariza a burguesia e ajuda os mais fracos. E ainda enfrenta um grande detetive inglês, não por acaso chamado Herlock Sholmes. Essa edição traz texto integral, excelente tradução de André Telles e Rodrigo Lacerda, vencedores do Prêmio Jabuti, apresentação de Lacerda, posfácio de Maurice Leblanc e cronologia de vida e obra do autor.

 

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[SC] 45º Festival de Cinema de Gramado

Evento será realizado será realizado entre os dias 17 e 26 de agosto

O Festival de Cinema de Gramado celebrará, de 17 a 26 de agosto, sua 45ª edição ininterrupta com uma promissora seleção de longas-metragens nacionais. E repetirá uma iniciativa que causou certa polêmica em maio passado no Festival de Cannes, mas que mostra-se um incontornável processo de convergência entre diferentes plataformas audiovisuais. Em meio aos sete filmes nacionais na disputa pelos Kikitos, todos eles inéditos no país, está o primeiro longa brasileiro produzido pelo serviço de streaming Netflix: O Matador, produção na pegada de faroeste dirigida por Marcelo Galvão. O Rio Grande do Sul será representado por Bio, filme em que Carlos Gerbase faz experimentações com os registros de ficção e documentário.

O anúncio dos concorrentes foi feito na manhã de ontem por dois dos curadores do festival, Rubens Ewald Filho e Marcos Santuário. A programação de Gramado conta ainda com a mostra de longas estrangeiros, com sete produções de países como Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia, e competições nacional e gaúcha de curtas. Os homenageados desta edição serão o animador gaúcho Otto Guerra (troféu Eduardo Abelin), o ator baiano Antonio Pitanga (troféu Cidade de Gramado), a atriz e cantora argentina Soledad Villamil (Kikito de Cristal) e a atriz paraense Dira Paes (troféu Oscarito).

Na abertura, será apresentado fora de competição, no dia 18 agosto, no Palácio dos Festivais, João, o Maestro, cinebiografia do pianista brasileiro João Carlos Martins. Estrelado por Alexandre Nero e pelo gaúcho Rodrigo Pandolfo, o longa é dirigido por Mauro Lima (de Tim Maia Meu Nome Não É Johnny).

A seleção de longas brasileiros para o Festival de Gramado (leia mais abaixo) reúne cineastas com destacada trajetória, como Galvão (melhor filme na edição de 2012 com Colegas e premiado em 2014 com A Despedida), Gerbase e Laís Bodanzky, ela concorrendo com Como Nossos Pais. Também marcam  presença diretores que têm um destacado caminho no cinema autoral, a exemplo de Felipe Bragança, com Não Devore Meu Coração!, exibido em competição no Festival de Sundance, e a estreante Caroline Leone, que conquistou o Prêmio da Crítica no Festival de Roterdam 2017 com Pela Janela – o longa foi selecionado também este ano para a mostra Generation do Festival de Berlim.

— Diferentemente de 2016, não temos nenhuma comédia. Foi coincidência isso. Todos os longas brasileiros em competição são inéditos no país, três deles inéditos no mundo — destacou Santuário na entrevista coletiva.

Para Rubens Ewald Filho, a múltipla seleção representa a resposta a um desafio que a curadoria tenta, a cada ano, superar:

— Gramado é uma lenda. E, tornando-se uma lenda, algumas coisas ficam mais fáceis, outras bem mais difíceis, como manter o status de lenda. O festival está sempre em vias de transformação, crescendo e se modificando, mas sempre sem perder as características que o tornaram tão querido.

Em 2017, também completam-se 25 anos da internacionalização do Festival de Gramado, iniciativa que buscou manter o festival em pé quando a produção nacional foi interrompida com a extinção da Embrafilme pelo governo do presidente Fernando Collor. Dez países são representados nos sete filmes da competição internacional: Los Niños (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi, Pinamar (Argentina), de Federico Godfrid, El Sereno (Uruguai), de Oscar Estévez e Joaquín Mauad, Sinfonía para Ana (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito, El Sonido de las Cosas (Costa Rica), de Ariel Escalante, La Ultima Tarde (Peru), de Joel Calero, e X500 (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango.

Com orçamento previsto de R$ 3,6 milhões, o Festival de Gramado firmou uma parceria com o governo do Canadá, que enviará à Serra uma delegação de profissionais para ministrar seminários e workshops. O evento contará ainda com encontros direcionados a profissionais e universitários do segmento audiovisual, nos dias 24 e 25 de agosto.

Longas brasileiros em competição

A Fera na Selva (RJ), de Paulo Betti

Baseado livremente na obra do escritor americano Henry James, o filme estrelado por Paulo Betti e Eliane Giardini narra a história de um homem que vive à espera de que algo extraordinário venha a acontecer em sua vida, o que o torna incapaz de viver o dia a dia e perceber os pequenos prezares e afetos que o cercam.

As Duas Irenes (SP), de Fábio Meira

Menina de 13 anos de uma família tradicional do interior descobre que seu pai tem uma filha de outra mulher, com a mesma idade e o mesmo nome dela. A revelação a faz perceber como se dão as relações sociais e como o universo adulto se constrói com segredos e mentiras. No elenco estão Isabela Torres, Priscila Bittencourt e Marco Ricca.

Bio (RS), de Carlos Gerbase

Ficção realizada no formato de documentário, o longa  tem uma estrutura narrativa em que a história é contada com depoimentos de 39 personagens sobre um protagonista que nunca é visto. Esse sujeito nasceu em 1959 e morreu em 2070 e tinha uma condição biológica que o impedia de mentir. No elenco estão, entre outros, Maria Fernanda Cândido, Rosanne Mulholland e Bruno Torres.

Como Nossos Pais (SP), de Laís Bodanzky

Maria Ribeiro vive uma mulher que se encontra em uma fase de conflitos pessoais e geracionais. Sente-se pressionada por um casamento em crise, a criação de duas filhas, suas ambições profissionais e os conflitos que vivencia com sua própria mãe.

O Matador (PE), de Marcelo Galvão

Foto: Pedro Saad / Pedro Saad / Netflix

Em clima de faroeste ambientado no interior de Pernambuco entre os anos 1910 e 1940, um temido matador (Diogo Morgado) segue os passos do homem que o criou e desapareceu a mando de um poderoso fazendeiro, com quem o protagonista irá acertar contas.

Não Devore Meu Coração! (RJ), de Felipe Bragança

Roteiro inspirado em contos do escritor Joca Reiners Terron, tem como personagens um menino brasileiro e uma menina indígena paraguaia que vivem na fronteira entre os dois países. A paixão que brota entre os jovens terá como barreiras memórias da Guerra do Paraguai e segredos de família. Cauã Reymond é destaque no elenco.

Pela Janela (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

Magali Biff vive uma operária de 65 anos que entra em depressão ao ser demitida da fábrica em que trabalhava na periferia de São Paulo. Ao aceitar viajar de carro para Buenos Aires com seu irmão, ela viverá uma experiência transformadora.

Veja a lista dos curtas nacionais em competição:

#feique, de Alexandre Mandarino (RJ)
A Gis, de Thiago Carvalhaes (SP)
Cabelo Bom, de Swahili Vidal (RJ)
Caminho dos Gigantes, de Alois Di Leo (SP)
Mãe dos Monstros, de Julia Zanin de Paula (RS)
Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira (SP)
O Espírito do Bosque, de Carla Saavedra Brychcy (SP)
O Quebra-Cabeça de Sara, de Allan Ribeiro (RJ)
O Violeiro Fantasma, de Wesley Rodrigues (GO)
Objeto/Sujeito, de Bruno Autran (SP)
Postergados, de Carolina Markowicz (SP)
Sal, de Diego Freitas (SP)
Tailor, de Calí dos Anjos (RJ)
Telentrega, de Roberto Burd (RS)

Fonte: Zero Hora

Cinema

[SC] Lançamentos de Cinema – 27/07/2017

Olá amigos, encerramos o mês de férias com suaves estreias nas telonas. Destaque para o cinema argentino, que tem tomado forma e conquistado os corações brasileiros.

Dunkirk (Christopher Nolan, Estados Unidos, Reino Unido, França)

Em Ritmo de Fuga (Baby driver, Edgar Wright, EUA)

Como se tornar um conquistador (How To Be A Latin Lover, Ken Marino, EUA)

O Reencontro (Sage-femme, Martin Provost, França)

Em Defesa de Cristo (The case for Christ, Jon Gunn, EUA)

Eva Não Dorme (Eva no duerme, Pablo Aguero, Argentina, França)